Durante quatro meses, André acordou com um ruído que parecia vir do apartamento acima. O som começava com um impacto curto e seguia com uma raspagem prolongada, como se um móvel pesado estivesse sendo arrastado pelo chão. Convencido de que os vizinhos faziam mudanças durante a madrugada, ele passou a registrar os horários no celular.
O primeiro episódio ocorreu por volta de 0h40, em uma madrugada de terça-feira. Nas semanas seguintes, o barulho voltou em horários variados, incluindo perto da meia-noite e durante a madrugada. Depois de dois meses, André já tinha mais de dez anotações, com registros como 0h43, 1h18, 2h07, 0h31 e 3h12.
“Eu achava que, com os horários anotados, seria mais fácil conversar sem parecer que estava exagerando”, contou.
Origem estava no imóvel vizinho
Antes de enviar uma reclamação ao condomínio, André conversou com o morador do apartamento de cima. O vizinho disse que morava sozinho, dormia cedo e não costumava mover móveis à noite. André ainda suspeitou que ele estivesse tentando evitar um problema.
A explicação apareceu algumas semanas depois, durante uma noite de vento forte. Pouco depois da 1h, o ruído ficou mais intenso e veio acompanhado de batidas secas no corredor lateral da sala. Ao abrir a porta, André percebeu que o som parecia estar no mesmo andar, e não acima.
O apartamento ao lado estava vazio havia meses. Com a ajuda do porteiro, que tinha acesso emergencial autorizado pelo proprietário, ele entrou no imóvel. A porta da varanda estava entreaberta e se movimentava com as rajadas. Perto dela, uma pequena mesa deixada pelo antigo morador era atingida pela porta, deslizava alguns centímetros e voltava parcialmente ao lugar.
A combinação entre os impactos e a vibração da parede fazia o ruído parecer vindo do teto. O porteiro fechou a varanda e afastou a mesa. No dia seguinte, a administradora procurou o proprietário para providenciar o ajuste da fechadura. Depois disso, nenhuma nova raspagem foi registrada.
Dois dias mais tarde, André contou ao vizinho de cima o que havia descoberto e pediu desculpas por quase formalizar uma reclamação sobre algo que ele não tinha feito. Os dois riram da situação.







