Boris e Rosa transformaram uma área rural abandonada em uma moradia com produção própria de energia, abastecimento de água e cultivo de alimentos. Ao longo de dezesseis anos, o casal recuperou sete mil metros quadrados e reorganizou o espaço com técnicas de bioconstrução, permacultura e reaproveitamento de recursos.
A propriedade, antes coberta por vegetação densa, recebeu pequenas cabanas construídas com terra crua e materiais reaproveitados. A escolha reduziu a dependência de alvenaria convencional e ajudou a integrar as edificações à vegetação nativa, além de contribuir para o conforto térmico dos moradores.
Energia e abastecimento de água
Placas solares fotovoltaicas instaladas no terreno produzem eletricidade para os equipamentos essenciais da casa. O sistema conta com baterias, que mantêm o fornecimento durante a noite e em períodos de chuva. Com isso, a residência funciona sem conexão com concessionárias de energia elétrica e sem contas de luz.
A água vem de um poço localizado na propriedade, usado para atender ao consumo cotidiano. O casal também trata e reaproveita águas servidas. Filtros biológicos e valas de evapotranspiração processam os efluentes sanitários, enquanto as águas cinzas podem ser direcionadas para a irrigação de pomares e hortas.
Entre as soluções adotadas estão o uso de poço artesiano, a filtragem de águas cinzas e o tratamento biológico de efluentes sem produtos químicos agressivos. O sistema busca devolver umidade à vegetação e preservar o lençol freático da área.
Cultivo e limites da autonomia
A rotina segue princípios da Permacultura por la Tierra. Boris e Rosa consideram as condições climáticas e as estações do ano para planejar as intervenções no terreno. Hortas orgânicas fornecem hortaliças e frutas para a família, enquanto a compostagem de resíduos vegetais produz adubo para o solo.
A propriedade também mantém a mata nativa e os cursos de água existentes. Essas práticas reduzem o desperdício e diminuem a dependência de mercados para parte da alimentação doméstica.
Mesmo sem despesas de eletricidade e água, a autonomia não é completa. O casal ainda depende de fornecedores externos para alguns insumos industriais, serviços médicos e ferramentas especializadas. A experiência mostra uma vida fora das redes convencionais, mas não um isolamento total da sociedade urbana.







