Os aquedutos romanos levavam água a cidades sem o uso de bombas. O sistema dependia da gravidade, de medições precisas do terreno e de um declive muito suave, mantido ao longo de todo o percurso.
Os engenheiros começavam escolhendo uma fonte em posição mais elevada, frequentemente uma nascente. Em seguida, traçavam uma rota que descesse gradualmente até a cidade. Uma inclinação excessiva poderia acelerar a água e danificar o canal. Já um trecho ascendente interromperia o fluxo.
Medição e adaptação ao terreno
Para identificar pequenas diferenças de altura, eram usados instrumentos como a dioptra e a libra. A dioptra tinha um sistema de mira que ajudava a alinhar referências ao longo da rota. O planejamento também incluía a localização da fonte, a medição contínua do terreno, o desvio de áreas instáveis e a escolha dos pontos para túneis, pontes ou arcos.
As estruturas elevadas não formavam todo o aqueduto. Muitos trechos ficavam no nível do solo ou eram enterrados. Os arcos apareciam principalmente quando era necessário atravessar vales ou manter o canal na altura adequada.
O Aqueduto de Segóvia tem mais de 16 quilômetros, mas sua sequência elevada de arcos representa menos de um quilômetro. A parte monumental chega a cerca de 28 metros. No Pont du Gard, no sul da França, a estrutura alcança quase 49 metros e tem três níveis de arcos para permitir a passagem do aqueduto de Nîmes sobre o rio Gardon.
Materiais, túneis e manutenção
Os romanos usavam pedra, tijolos, argamassa e diferentes tipos de concreto. O concreto romano podia incluir pozolana, material de origem vulcânica misturado com cal e água. Em Segóvia, os blocos de granito da arcada foram assentados praticamente a seco, sem argamassa entre eles.
Tanques de decantação ajudavam a reduzir a velocidade da água e a separar partículas mais pesadas. Depois, estruturas de distribuição encaminhavam o abastecimento para fontes públicas e algumas residências particulares.
Quando uma montanha tornava o caminho muito longo, equipes escavavam túneis a partir de poços verticais. Esses poços também podiam facilitar inspeções e reparos. A manutenção incluía a remoção de depósitos de carbonato, sedimentos e revestimentos danificados, além da aplicação de novas camadas.
A durabilidade dependia, portanto, tanto da construção quanto de intervenções repetidas. O resultado era um sistema capaz de conduzir água por dezenas ou até centenas de quilômetros usando apenas uma diferença calculada de altitude.







