O hidrômetro continuava avançando mesmo quando todas as torneiras estavam fechadas. A descoberta levou Marcelo a investigar o sistema de água da casa e, com ajuda de um encanador, encontrar uma tubulação rachada sob o canteiro do quintal.
O problema ficou escondido porque a área era regada todas as manhãs. A terra permanecia úmida, mas Marcelo entendia que o solo estava molhado por causa da água usada nas plantas. O canteiro tinha alface, cebolinha, tomate e algumas ervas.
“Eu olhava para aquele chão molhado e achava que era porque eu tinha acabado de colocar água”, lembra Marcelo. Segundo ele, não havia aumento no número de pessoas na casa, piscina ou mudança relevante na rotina.
A conta havia ficado quase duas vezes maior pelo terceiro mês consecutivo. Como morava na mesma casa havia sete anos, Marcelo conhecia a média de consumo. No início, atribuiu a primeira alta às semanas mais quentes e ao uso mais frequente do quintal. Depois que o valor voltou a subir, passou a procurar a origem do desperdício.
Ele trocou o reparo de uma torneira da área de serviço e substituiu uma peça antiga na cozinha. Também verificou a boia da caixa d’água, os vasos sanitários, as descargas, o registro geral e o hidrômetro durante a madrugada. Nada indicava transbordamento ou passagem contínua de água.
Após quase dois meses de buscas, o encanador fechou os pontos de consumo e observou o marcador. Como o hidrômetro continuou se movimentando lentamente, o profissional fechou registros até restringir a suspeita a uma tubulação que passava pelo quintal e alimentava uma torneira externa.
A primeira abertura, perto da torneira, não mostrou o defeito. O tubo estava seco e aparentemente intacto. Marcelo e o encanador seguiram o trajeto em direção ao canteiro. Cerca de dois metros adiante, a terra ficou mais úmida e a água começou a preencher o fundo da escavação.
A fissura estava na parte inferior do tubo, sob as raízes. A água não saía em jato: espalhava-se pelo solo, que a absorvia antes de formar uma poça. Parte da umidade também era aproveitada pelas plantas.
O encanador retirou o trecho danificado e substituiu parte da tubulação. No teste seguinte, com as torneiras fechadas, o hidrômetro permaneceu parado. Na fatura seguinte, o consumo voltou para perto da média anterior.
Depois do reparo, Marcelo passou a fechar os principais pontos de água uma vez por semana e verificar se o marcador continua parado. A terra do canteiro também começou a secar mais rápido, mostrando que parte da água usada pelas plantas vinha do vazamento subterrâneo.







