Em antigos cemitérios da Escócia, estruturas de ferro sobre sepulturas protegiam cadáveres recém-enterrados contra ladrões que os vendiam a anatomistas. Conhecidas como mortsafes, essas grades eram colocadas sobre a cova ou ao redor do caixão e presas para dificultar a remoção rápida do corpo.
No começo do século XIX, o ensino de anatomia crescia e os estudantes precisavam dissecar cadáveres para estudar o corpo humano. A oferta legal era limitada, muitas vezes relacionada a pessoas executadas, enquanto o número de alunos aumentava. A diferença entre a procura e a disponibilidade criou um mercado clandestino.
Os ladrões, chamados de resurrectionists, desenterravam corpos frescos e os comercializavam com escolas de anatomia. Em geral, levavam apenas o cadáver e deixavam os pertences, porque o crime poderia receber um enquadramento legal mais brando do que o furto de objetos.
Como as sepulturas eram protegidas
Algumas comunidades reutilizavam as estruturas e as alugavam às famílias durante o período de maior risco. A proteção não precisava permanecer para sempre: depois de algumas semanas, a decomposição tornava o corpo menos útil para dissecação, permitindo que o mortsafe fosse retirado e usado em outro enterro.
Famílias sem dinheiro para pagar pelo ferro recorriam a vigílias. Parentes e vizinhos se revezavam durante a noite, enquanto algumas comunidades usavam pequenas casas mortuárias ou espaços temporários para guardar os corpos.
Os invasores nem sempre removiam toda a terra. Muitas vezes, abriam uma passagem estreita na cabeceira da sepultura, prendiam o cadáver com cordas e o puxavam. O método economizava tempo e reduzia a chance de serem vistos.
A prática perdeu força depois de reformas legais ampliarem o acesso das escolas médicas a cadáveres não reclamados. O Anatomy Act de 1832 foi decisivo no Reino Unido para reduzir o incentivo econômico ao roubo de sepulturas, embora a mudança também tenha levantado questões sobre pobreza e consentimento.







