A escolha de móveis planejados deve considerar o uso diário dos ambientes, e não apenas a aparência. O projeto precisa prever o que será armazenado, a frequência de utilização dos objetos, o acesso aos compartimentos e a circulação no espaço.
Gabriel Senna, arquiteto e coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unime Lauro de Freitas, recomenda analisar essas necessidades antes de definir cores e acabamentos. “Um móvel planejado eficiente não é apenas aquele que ocupa todo o espaço disponível. Ele precisa facilitar a rotina”, afirma.
Acesso e armazenamento
O primeiro passo é listar os itens que ficarão nos móveis. Roupas, eletrodomésticos, livros, utensílios e objetos usados diariamente têm tamanhos e necessidades diferentes. Esse levantamento ajuda a definir a quantidade de portas e gavetas e evita tanto áreas sem uso quanto compartimentos que não atendem aos moradores.
Também é importante posicionar os objetos conforme a frequência de uso. Na cozinha, panelas, pratos e utensílios utilizados todos os dias podem ficar próximos às áreas de preparo. No quarto, roupas e acessórios mais usados devem ocupar gavetas e prateleiras fáceis de alcançar. Para Senna, a organização precisa acompanhar esse hábito.
Medidas e infraestrutura
A altura dos moradores, a idade e eventuais limitações de mobilidade influenciam a posição de bancadas, armários, prateleiras e gavetas. Em casas com crianças ou idosos, acessibilidade e segurança devem ser consideradas.
A localização das tomadas também precisa ser planejada antes da instalação. Televisão, cafeteira, forno elétrico, carregadores e aspirador de pó dependem de pontos de energia adequados. Quando essa definição fica para depois, podem surgir fios aparentes, extensões e adaptações. O mobiliário deve ser compatível com o projeto elétrico.
Circulação e manutenção
Portas, gavetas e armários precisam abrir sem bloquear passagens ou bater em outros móveis. A profundidade da estrutura e o espaço para circulação devem ser avaliados juntos, principalmente em ambientes pequenos.
Materiais, puxadores, revestimentos e acabamentos devem acompanhar a rotina da casa. Em locais com mais gordura, umidade ou sujeira, superfícies fáceis de limpar podem facilitar a manutenção. O cuidado também vale para casas com crianças ou animais de estimação.
Senna ainda recomenda avaliar tendências antes de adotá-las. Portas sem puxadores e nichos abertos podem não combinar com a funcionalidade de alguns ambientes.







