A Serra da Capivara, no sudeste do Piauí, reúne aproximadamente 129 mil hectares e centenas de sítios arqueológicos catalogados. O parque recebeu da Unesco o título de Patrimônio Mundial em 1991, em razão da preservação de vestígios humanos em uma área de caatinga.
As paredes rochosas concentram pinturas e gravuras que registram costumes, rituais e animais. Os vestígios são associados à presença de grupos antigos na América do Sul e fazem do local uma referência para pesquisas sobre as primeiras comunidades humanas no continente.
Boqueirão da Pedra Furada
O Boqueirão da Pedra Furada é um dos principais pontos de visitação da unidade de conservação. Seus abrigos rochosos têm mais de mil figuras rupestres. Escavações na área identificaram fogueiras estruturadas e ferramentas líticas associadas a datações que indicam ocupações anteriores aos modelos migratórios clássicos.
As pesquisas na região ganharam impulso a partir de 1973, com o trabalho da arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon. Ela liderou expedições, mapeou paredões e organizou escavações. A atuação também contribuiu para a criação da unidade de conservação e para projetos educativos e institucionais que envolveram moradores locais.
O roteiro inclui o Museu do Homem Americano, com artefatos líticos, cerâmicas milenares e fósseis da megafauna extinta. O parque também oferece circuitos com passarelas suspensas e mirantes voltados para cânions.
Para fazer os circuitos arqueológicos, é obrigatória a contratação de guia credenciado. A orientação inclui usar calçados fechados e roupas leves, além de levar água suficiente e protetor solar para as caminhadas.
A preservação dos sítios também sustenta atividades econômicas nos municípios vizinhos. A produção de cerâmica artesanal inspirada nas pinturas rupestres gera empregos e aproxima a comunidade da proteção do patrimônio histórico e ambiental.







