Estruturas retangulares encontradas próximas aos monumentos de Göbekli Tepe podem ter sido usadas como residências, segundo a interpretação de pesquisas arqueológicas recentes. O achado não comprova a existência de uma cidade, mas amplia as hipóteses sobre como grupos de caçadores-coletores ocupavam o sítio há cerca de 11 mil anos.
O local ficou conhecido pelos recintos monumentais com pilares de calcário em forma de T, alguns decorados com animais e detalhes humanos. Escavações iniciadas na década de 1990 levaram Klaus Schmidt a interpretar Göbekli Tepe como um centro ritual frequentado por grupos móveis. A ausência inicial de casas claramente identificadas reforçou essa leitura.
Entre cerimônias e atividades cotidianas
A ideia de separar o sítio entre uma área sagrada e outra residencial foi questionada por arqueólogos como E. B. Banning. Edifícios domésticos também podem apresentar decoração e abrigar práticas rituais. Além disso, escavações posteriores encontraram depósitos, ferramentas, estruturas menores e indícios de atividades cotidianas.
Levantamentos magnéticos e o radar de penetração no solo ajudaram a mapear estruturas sem a remoção imediata das camadas arqueológicas. Em Göbekli Tepe, prospecções realizadas desde 2003 identificaram numerosos recintos sob o monte. As pesquisas recentes direcionaram escavações para construções retangulares próximas da zona protegida, permitindo comparar as imagens subterrâneas com as paredes encontradas no local.
A geofísica indica formas e contrastes, mas não determina sozinha a função de um cômodo. Divisões internas, pisos, áreas de fogo, armazenamento, descarte de alimentos e objetos de uso cotidiano podem sustentar uma interpretação residencial. Ainda assim, cada evidência precisa ser analisada em conjunto com a estratigrafia, os artefatos, os resíduos e a datação do contexto.
Por que isso não define uma cidade
A presença de uma residência, de um conjunto sazonal ou de um pequeno bairro não basta para caracterizar uma cidade. Também é necessário verificar se as estruturas tinham a mesma idade dos grandes recintos ou se pertenciam a uma fase posterior. Göbekli Tepe foi usado por séculos, e construções próximas podem não ter funcionado ao mesmo tempo.
Datações por radiocarbono de materiais orgânicos, análises dos pisos e a sequência das paredes podem ajudar a estabelecer a cronologia. Restos microscópicos de plantas, ossos e marcas de desgaste também podem indicar atividades repetidas no local.
Se pessoas moravam ao lado dos pilares, o complexo pode ter reunido preparo de alimentos, produção de ferramentas, armazenamento de recursos e cerimônias. Essa possibilidade mudaria as estimativas sobre mão de obra, duração das estadias e organização social.
As estruturas identificadas pela geofísica ainda são uma hipótese. Escavações, datações e análises de resíduos serão necessárias para indicar quem esteve ali e por quanto tempo. A descoberta não elimina a função monumental de Göbekli Tepe, mas pode mostrar que a vida cotidiana e os rituais coexistiam no mesmo espaço.







