LIMA — O Bosque El Olivar preserva mais de mil oliveiras no distrito de San Isidro, em Lima, no Peru. Cercado por avenidas, edifícios e residências, o espaço mantém uma paisagem iniciada no período colonial e transformada pela expansão urbana da capital peruana.
A introdução do cultivo de oliveiras no Peru é atribuída a Antonio de Ribera, que levou mudas da Espanha em 1559. Alguns anos depois, exemplares foram transferidos para a antiga fazenda de Limatambo, área onde hoje está o bosque.
Uma das etapas mais conhecidas da formação do olival ocorreu em 1637. Relatos associados a San Martín de Porres indicam que ele e um ajudante teriam plantado cerca de 700 estacas de oliveira na região. Estudos posteriores identificaram uma árvore cuja idade seria compatível com esse período.
Crescimento e redução do olival
As plantações continuaram a crescer nos séculos seguintes. Por volta de 1730, o local já teria cerca de 2 mil árvores. Em 1828, registros apontavam 2.338 oliveiras, quantidade superior à existente atualmente.
A urbanização de Lima reduziu o número de árvores. Um estudo sobre a transformação da paisagem calcula que mais de 1.200 oliveiras foram perdidas entre 1828 e 1967, com a incorporação da antiga área agrícola ao tecido urbano.
Um inventário realizado em 2017 registrou aproximadamente 1.674 oliveiras de diferentes idades, algumas com centenas de anos. Hoje, o Bosque El Olivar ocupa mais de dez hectares e reúne oliveiras e dezenas de outras espécies de árvores.
Área verde e patrimônio
O bosque oferece sombra, abrigo para aves e outros animais, espaço público para caminhada e descanso, além de preservar árvores históricas. O local também integra patrimônio cultural e natureza e conta com equipamentos como biblioteca, centro cultural e a Casa Museu Marina Núñez del Prado.
As árvores contribuem para sombrear o espaço urbano, interceptar parte da radiação solar, liberar água por transpiração e capturar carbono durante o crescimento. No El Olivar, o efeito mais perceptível é a formação de uma área verde contínua em uma cidade densamente urbanizada.
A paisagem atual resulta de um processo iniciado há quase quatro séculos. O bosque não foi formado de uma só vez: cerca de 700 oliveiras são associadas ao plantio de 1637, enquanto o conjunto cresceu nos períodos seguintes e conserva hoje mais de mil exemplares.







