A falta de um teste dos comandos na retirada do veículo dificultou a discussão entre Caio e o lava jato depois que o vidro do motorista deixou de responder. O carro havia passado por limpeza interna e externa, com bancos aspirados, vidros limpos e aplicação de produto nas superfícies.
Caio percebeu o defeito no estacionamento do trabalho. O botão não acionava o vidro, embora a janela pudesse ser movimentada pelo comando do passageiro. Esse funcionamento indicava que o motor e o mecanismo talvez estivessem preservados, mas não apontava sozinho a causa da falha.
O que estava registrado
A ficha do serviço incluía lavagem externa, aspiração e limpeza do painel e das portas. Não havia previsão de reparo elétrico nem registro de defeito anterior. Antes de entregar a chave, Caio se lembrava de ter aberto o vidro para entregar um comprovante.
Na retirada, ele verificou a pintura e o estofamento, mas não acionou todos os botões. Ao retornar ao estabelecimento, ouviu que a equipe apenas havia passado pano e produto nas superfícies, sem desmontar a porta. O encarregado levantou a possibilidade de desgaste do comando e de uma falha ocorrida por coincidência.
A vistoria também não informava se os comandos funcionavam. Ela registrava riscos na pintura, mas não o estado dos equipamentos internos. Com isso, as versões dependiam de lembranças e de imagens que não acompanhavam toda a execução do serviço.
Imagens e avaliação técnica
O celular de Caio tinha um vídeo da chegada ao estabelecimento, feito para mostrar uma marca na porta. O vidro aparecia parcialmente aberto, mas a gravação não mostrava o acionamento do botão. Uma câmera do estacionamento registrou Caio fechando a janela do outro lado, sem documentar o defeito no comando do motorista.
Uma oficina examinou o fusível, o circuito e o encaixe do interruptor. Encontrou umidade perto do comando e um terminal oxidado. O técnico fotografou a peça antes de limpar os contatos e descreveu as condições observadas, mas não conseguiu determinar se a oxidação havia surgido durante a lavagem ou se já vinha se formando.
O documento registrava uma condição e uma hipótese, não a causa comprovada. O encarregado questionou se a umidade poderia ter sido provocada por chuva recente. Caio informou que o carro não havia ficado exposto à chuva nos dias anteriores.
Reparo e acordo
A oficina recomendou limpar os contatos e fazer um novo teste antes de substituir o conjunto inteiro. Caio preferiu preservar as fotos e o orçamento antes de autorizar uma troca. Depois da limpeza, o vidro voltou a funcionar, e o técnico orientou a observar se o problema reapareceria.
O encarregado aceitou pagar a limpeza e a avaliação como solução prática, sem reconhecer que toda a umidade tivesse origem no trabalho da equipe. Caio organizou a reclamação com o vídeo de entrada, o horário da retirada, o teste feito no trabalho e o documento técnico. Também pediu uma resposta restrita ao custo do problema constatado.
A vistoria não permitiu estabelecer um momento comprovável entre o funcionamento do botão e o defeito. A limpeza resolveu a falha imediata, mas não determinou sua origem. Depois do caso, Caio passou a testar os vidros e outros comandos ao retirar o carro. O estabelecimento ampliou a ficha para registrar funções básicas antes de serviços internos.







