O Irã afirmou nesta quarta-feira 9 ter atacado embarcações no Estreito de Ormuz, em uma operação que levou o preço do petróleo a superar US$ 100 pela primeira vez desde julho. Teerã disse que a ofensiva ocorreu em resposta à destruição de cinco petroleiros iranianos por bombardeios do Exército dos Estados Unidos na véspera.
A Guarda Revolucionária informou que atingiu, na região do Golfo, duas embarcações americanas, oito petroleiros e outros dez navios que tentavam passar pelo estreito. A agência marítima britânica UKMTO relatou que vários navios mercantes pegaram fogo, mas não divulgou informações sobre vítimas.
Os Estados Unidos e o Irã continuam em guerra desde 28 de fevereiro, quando começou uma ofensiva americana e israelense contra o território iraniano. O Irã mantém controle sobre o Estreito de Ormuz, enquanto Washington bloqueia os portos iranianos.
A diplomacia iraniana classificou os ataques americanos a navios comerciais do país como ameaça à segurança regional e internacional e afirmou agir com base no direito à legítima defesa. Antes do conflito, a passagem pelo estreito era livre. Agora, Teerã exige autorização das embarcações, medida rejeitada por Washington e por vários países da região.
A Guarda Revolucionária também anunciou uma nova zona de exclusão próxima ao Estreito de Ormuz, abrangendo áreas do Golfo de Omã e do Mar Arábico. Hossein Mohebi, porta-voz da força militar iraniana, disse que navios que entrarem no perímetro sem coordenação prévia estarão sujeitos a sanções, sem detalhar quais seriam as medidas.
A corporação reivindicou ainda ataques contra uma base americana na Jordânia. O Exército jordaniano afirmou ter interceptado 18 mísseis.
A Guarda Revolucionária confirmou a perda dos cinco petroleiros e declarou que o conflito poderia terminar se os Estados Unidos aceitassem exigências iranianas. Entre elas estão o fim das ameaças a Teerã, a liberação de 24 bilhões de dólares (R$ 122 bilhões) em ativos congelados e a suspensão de interferências nos programas nuclear e balístico do Irã.
O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, dos Estados Unidos, afirmou que o Irã acelerou neste ano a construção de uma suposta instalação nuclear subterrânea, com base em imagens de satélite. Em Viena, o Conselho de Governadores da Agência Internacional da Energia Atômica aprovou o envio do caso iraniano ao Conselho de Segurança da ONU por descumprimento de obrigações.
O memorando de entendimento firmado em junho entre Irã e Estados Unidos para encerrar o conflito foi abandonado em julho, e as negociações permanecem paralisadas. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o regime iraniano está perto do colapso e defendeu sua deposição.








