PANAMÁ — O Canal do Panamá começou a reduzir o tráfego de navios devido à diminuição das chuvas provocada pelo fenômeno climático El Niño. A medida utiliza menos água dos lagos que abastecem a hidrovia, que conecta os oceanos Pacífico e Atlântico e responde por 5% do comércio marítimo global.
A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) informou que o número de travessias diárias será reduzido gradualmente de 36 para 32. Estão previstas 34 passagens nesta sexta-feira 4. A partir de 15 de setembro, o limite máximo será de 32 embarcações por dia.
O canal depende da água da chuva armazenada nos lagos artificiais de Gatun e Alhajuela. Os níveis dessas reservas diminuíram com a seca associada ao El Niño, descrito no comunicado da ACP como o mais intenso já registrado e responsável por um alerta nacional.
As chuvas na bacia hidrográfica do canal foram “menores do que o esperado”, afirmou a autoridade. Por isso, foram adotadas “medidas adicionais” para manter a sustentabilidade das operações a longo prazo.
Limite para o calado
A ACP, entidade estatal autônoma, já havia adotado outras medidas de economia de água, entre elas a restrição do calado dos navios — a profundidade que as embarcações atingem na água.
A partir de 1º de outubro, o calado máximo permitido será de 14,48 metros. O limite anterior era de 15,24 metros. A justificativa para a mudança é que embarcações com menor calado deslocam menos água.
Em 2023, os níveis dos lagos chegaram a baixas recordes, e o El Niño levou o canal a reduzir as travessias diárias de 38 para 22. A ACP informou que não descarta novas restrições, conforme o volume de chuvas registrado nas próximas semanas.







