A China ampliou sua aprovação entre os latino-americanos desde 2020, mas os Estados Unidos ainda têm a melhor imagem geral na região, segundo pesquisa do Latinobarómetro. A influência chinesa é considerada positiva por 65% dos entrevistados, ante 48% anteriormente. No caso americano, o índice caiu de 60% para 57%.
Apesar da diferença na percepção sobre a influência regional, os Estados Unidos registram 63% de opiniões favoráveis, enquanto a China aparece com 59%. Os dados indicam que a avaliação da presença chinesa avançou sem ultrapassar a imagem geral dos Estados Unidos.
Marta Lagos, diretora do Latinobarómetro, afirmou que a China ganhou espaço ao facilitar o acesso a produtos com preços inferiores aos de outras importações. “O vazio que a China preenche é o dos bolsos”, disse a especialista.
Disputa pela influência
O relatório registra que os Estados Unidos voltaram a demonstrar interesse pela América Latina com o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025. O presidente promove uma política mais intervencionista na região, chamada de “Doutrina Donroe”, expressão que combina seu primeiro nome com o sobrenome de James Monroe.
Monroe foi o quinto presidente americano e, há mais de dois séculos, declarou a América Latina uma esfera de influência exclusiva de Washington. No contexto atual, Trump criou o Escudo das Américas, aliança de cerca de 15 países governados por presidentes de direita para combater o crime organizado.
Lagos avaliou que a região está mais fragmentada, com sociedades mais escolarizadas e “povos mais rigorosos em seus julgamentos”. Para 55% dos latino-americanos, as políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos terão impacto negativo no mundo. A especialista também associou a imagem negativa de Trump à deterioração da avaliação americana e à percepção de que será muito difícil Washington recuperar o papel que teve no passado.
O Latinobarómetro é uma organização sem fins lucrativos sediada no Chile. A pesquisa de 2026 reuniu mais de 19.000 entrevistas realizadas em 17 países entre 7 de maio e 17 de junho, com margem de erro de 1%.








