Estimativas do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, apontam que o El Niño pode estar associado a 451 mil mortes adicionais provocadas pelo calor no mundo até fevereiro. Os cálculos comparam o período do fenômeno com a média registrada entre 1996 e 2025.
A projeção indica impactos distintos entre as regiões. O Sahel, na África, pode concentrar 66.800 mortes adicionais em relação a um ano normal. Quase metade desse total ocorreria na Nigéria. A Indonésia aparece com uma estimativa de 19.300 mortes, enquanto Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somariam 19.400.
Também foram projetadas 15.800 mortes adicionais na Índia e 13.300 no Brasil. O Climate Impact Lab afirma que os países em desenvolvimento podem estar entre os mais afetados pela mortalidade relacionada ao calor durante o período analisado.
Como a estimativa foi calculada
O grupo examinou pesquisas sobre a relação entre temperatura e excesso de mortalidade em 24.378 regiões. A análise considerou as condições climáticas locais e a vulnerabilidade de cada área. Depois, os resultados foram cruzados com previsões de temperatura de longo prazo.
Os cálculos ainda não passaram pela revisão de outros especialistas e devem ser publicados em breve em uma revista científica. A estimativa considera as mortes adicionais atribuídas ao El Niño, em comparação com a média do período de 1996 a 2025.
O fenômeno foi declarado em junho e tem pico esperado para o fim do ano. Ao aquecer as águas superficiais dos mares, altera os padrões meteorológicos e os ventos sobre o Pacífico, com efeitos sobre chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.
Em 22 de setembro, as Nações Unidas alertaram para a ameaça significativa das possíveis consequências do El Niño para a saúde. Além do calor, o fenômeno pode agravar doenças, piorar a qualidade do ar por causa de incêndios e favorecer desnutrição e cólera associadas a secas e inundações.








