Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump apresentaram visões diferentes durante os discursos na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (22). Lula falou sobre a economia brasileira, a jornada de trabalho, o Pix e a reforma da ONU. Trump abordou a atuação dos Estados Unidos na América Latina, a inteligência artificial, o petróleo e a guerra na Ucrânia.
Antes dos pronunciamentos, os dois presidentes se encontraram nos bastidores da 81ª Assembleia Geral e apertaram as mãos. Trump descreveu a relação entre eles como "excelente química".
Os temas defendidos por Lula
Lula afirmou que o Brasil deve registrar recorde de exportações neste ano, apesar das sobretaxas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As tarifas mencionadas no discurso são de 25% e 12,5%.
O presidente também declarou que o país voltou a crescer de forma sustentada e ocupa a terceira posição entre os destinos de investimento estrangeiro direto no mundo. No campo interno, defendeu o fim da escala 6x1, proposta que tramita no Senado como PEC. A mudança, segundo Lula, garantiria dois dias de descanso por semana e reduziria principalmente a sobrecarga das mulheres.
As apostas online também foram citadas. Lula criticou as bets e afirmou que elas transformam o vício em lucro. Ele disse ainda que o Brasil não aceitará esse modelo de negócio.
Outro ponto do discurso foi o Pix. Lula denunciou a pressão de empresas multinacionais pela privatização do sistema e o classificou como uma infraestrutura pública e gratuita de pagamentos. O presidente também defendeu regras para big techs e inteligência artificial, criticando o grupo que chamou de tecno-oligarcas.
Na política internacional, Lula questionou a falta de mudanças no Conselho de Segurança da ONU e considerou o momento atual o mais crítico da história da organização. Ele voltou a apresentar os minerais críticos e as terras raras brasileiras como ativos estratégicos, condicionando o acesso a esses recursos à transferência de tecnologia para o país.
As declarações de Trump
Trump usou o discurso para reafirmar a política de força dos Estados Unidos na América Latina. Ele citou a prisão de Nicolás Maduro em janeiro como exemplo do uso do poder norte-americano, inclusive militar, na defesa dos interesses do país.
O presidente americano também mencionou um acordo para exploração de petróleo na Venezuela, negociações com Cuba e os cartéis mexicanos, que classificou como Estado Islâmico da América Latina.
Sobre inteligência artificial, Trump afirmou que os Estados Unidos não limitarão o crescimento do setor e rejeitou os alertas sobre os riscos da tecnologia. Ele sugeriu que a expressão fosse substituída por superinteligência e disse: "artificial me parece falso, não gosto".
Trump declarou ainda que não haverá impostos globais enquanto estiver na Presidência. Na área de energia, afirmou que o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico está no maior nível desde o início da guerra. Segundo ele, um acordo com o Irã só deve ocorrer depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
O presidente americano disse que os Estados Unidos e a Venezuela controlam juntos mais de 60% do petróleo mundial e que a Marinha dos Estados Unidos escoltou mais de 1 bilhão de barris para fora do Estreito de Ormuz recentemente.
Sobre a guerra na Ucrânia, Trump afirmou que o conflito será resolvido antes do que se imagina. Ao final, defendeu que países aliados abandonem o Tribunal Penal Internacional, que classificou como anti-americano.







