NOVA YORK — Javier Milei afirmou, em discurso na Assembleia-Geral da ONU, que as medidas adotadas durante a pandemia da Covid-19 representaram uma forma de controle social. O presidente da Argentina também defendeu o alinhamento com Donald Trump ao tratar do desenvolvimento da inteligência artificial e criticou a atuação da organização internacional.
Ao abordar o enfrentamento à crise do coronavírus, Milei classificou o confinamento como uma política apresentada sob justificativa sanitária. Para ele, a retirada de direitos como trabalhar, estudar e se despedir de pessoas mortas teria resultado em milhões de mortes evitáveis. “O que alguns alegam ser um erro de política sanitária vemos como um experimento global de controle social disfarçado de ciência”, declarou.
Na avaliação do presidente argentino, a ONU perdeu sua utilidade e passou a servir a uma burocracia que ele criticou durante o pronunciamento. Milei também questionou a ausência de medidas da entidade diante da reivindicação histórica da Argentina pelas Ilhas Malvinas, que estão sob controle britânico desde 1833.
Tecnologia e alinhamento com Trump
Milei acompanhou a posição de Donald Trump ao minimizar preocupações relacionadas ao ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial. Ele rejeitou previsões de cenários distópicos usados, segundo sua avaliação, para estimular o medo e ampliar o controle estatal.
O presidente argentino defendeu que o Ocidente lidere o avanço da tecnologia. “Os cenários distópicos aos quais se costuma recorrer para infundir medo e favorecer o controle do Estado não fazem sentido do ponto de vista econômico”, afirmou.
A crítica às medidas sanitárias aproximou a fala de Milei da retórica usada pelo então presidente Jair Bolsonaro no Brasil para contestar a ciência e as recomendações de especialistas durante a emergência provocada pelo coronavírus. No mesmo discurso, Milei reforçou sua crítica à ONU e manteve a defesa de suas posições sobre pandemia, soberania e tecnologia.







