A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta sexta-feira (4/9) uma resolução que recomenda a adoção da projeção da Terra Igual, um mapa-múndi que representa a África com dimensões mais próximas de sua extensão real. A decisão recebeu 164 votos.
Os países não são obrigados a utilizar o novo mapa. A proposta foi liderada pelo Togo e contou com o apoio de países da União Africana. Os Estados Unidos foram o único país a votar contra. Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia se abstiveram.
Distorções da projeção de Mercator
A projeção de Mercator, criada no século 16 para fins de navegação, era o modelo adotado até então. Uma das críticas é que ela amplia as áreas ao norte e ao sul da linha do Equador e reduz visualmente a África, a América Latina e o sul da Ásia.
Nesse modelo, a África aparece com tamanho semelhante ao da Groenlândia, embora seja cerca de 14 vezes maior. O documento aprovado afirma que a mudança contribui para uma “justiça cognitiva e reparação memorial”. O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, declarou que “mapas moldam nossa compreensão do mundo”.
A resolução incentiva governos, escolas, organizações internacionais e empresas de tecnologia a usar a nova projeção. O texto também reconhece que nenhuma representação consegue reproduzir perfeitamente, em uma superfície plana, a forma curva da Terra.
Debate no Brasil
No ano passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística lançou um mapa-múndi invertido, com o Brasil no centro e o Sul no topo. A imagem destaca que a indicação dos pontos cardeais é uma convenção cartográfica.
Maria do Carmo Dias Bueno, diretora de Geociências do IBGE, explicou em vídeo publicado no site do instituto que a posição do Norte no alto pode associar a parte superior do mapa a valores positivos e a porção sul a aspectos negativos, como pobreza e valores mais baixos de imóveis.







