Manaus, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Viajar com informação
Passagens e câmbio

Economia e abstenção podem definir disputa entre Lula e Flávio, avalia Lavareda

Cientista político afirma que a insatisfação econômica e a menor participação de eleitores de baixa renda podem alterar o resultado.

Economia e abstenção podem definir disputa entre Lula e Flávio, avalia Lavareda

O cientista político Antonio Lavareda avalia que a economia e a abstenção serão os principais fatores para definir a disputa presidencial no domingo, 4 de outubro. Para ele, a situação financeira percebida pelas famílias pesa mais na decisão do eleitor do que a segurança pública, embora o tema tenha aparecido no topo de pesquisas sobre os problemas do país.

Lavareda é presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), presidente do conselho científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) e considera que a insatisfação com a economia prejudica o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição.

Mais de 55% dos brasileiros consideram que a economia do país vai mal, segundo a avaliação apresentada por Lavareda. Ele afirma que a queda do desemprego e a inflação relativamente controlada não são suficientes para melhorar a percepção da população, que convive com preços elevados, juros, endividamento e insegurança financeira.

Abstenção pode alterar resultado

A projeção de Lavareda é que a abstenção chegue a 21,7%, ante 20,9% na eleição presidencial de 2022. Ele também não descarta a ausência de 34 milhões de eleitores. Na avaliação do cientista político, a abstenção atinge principalmente pessoas de menor renda e escolaridade, grupo no qual Lula concentra parte importante de seus eleitores.

Por isso, uma vantagem de três ou quatro pontos de Lula nas pesquisas poderia desaparecer nas urnas. Lavareda considera possível que Flávio Bolsonaro (PL) termine o primeiro turno à frente ou empatado com o petista. A chance de a eleição ser resolvida no primeiro turno, porém, é estimada por ele em apenas 5% para qualquer candidato.

A análise se apoia também na correlação entre escolaridade e comparecimento: o índice citado por Lavareda é de menos 0,97. Entre eleitores que apenas leem e escrevem e analfabetos, a abstenção chega a 50%.

Economia e propostas

Uma pesquisa Nexus/BTG citada na entrevista aponta a economia do Brasil como principal motivação para o voto presidencial, com 33%. A situação financeira pessoal aparece com 11%; acusações de corrupção, com 29%; rejeição a outro candidato, com 27%; saúde pública, com 24%; e educação pública, com 21%. Somadas, economia nacional e situação financeira pessoal chegam a 44%.

Lavareda afirma que as campanhas trataram de inflação, custo de vida, impostos e endividamento, mas apresentaram poucas explicações sobre como combinar equilíbrio fiscal, reforma do Estado, produtividade e crescimento sustentável. Para ele, também faltaram alternativas claras para financiar e melhorar a qualidade dos gastos e dos serviços públicos.

O cientista político considera que medidas anunciadas por Lula, como o fim da taxa das blusinhas, o novo Desenrola e a proibição das bets, buscam principalmente recuperar eleitores que mudaram de posição, e não conquistar novos apoiadores. Ele afirma que iniciativas semelhantes foram adotadas por Jair Bolsonaro em 2022.

Supremo e segundo turno

Na avaliação de Lavareda, a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) prejudica mais Lula. O ministro Alexandre de Moraes, segundo ele, é visto por parte da sociedade como algoz de Jair Bolsonaro, antagonista político de Lula.

Sobre um eventual segundo turno, Lavareda projeta vitória de Flávio Bolsonaro se a votação ocorresse naquele momento, principalmente por causa da abstenção. Ele ressalva que a disputa ainda dependeria das coalizões e dos entendimentos formados depois do primeiro turno. Com apenas dois candidatos, a campanha teria debates e cobranças mais concentrados sobre propostas e planos de governo.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5