SÃO PAULO — Cerca de 700 empresários se reuniram na noite de sexta-feira, 25 de setembro, no hotel Tivoli Mofarrej, na região da avenida Paulista, para ouvir Luiz Inácio Lula da Silva sobre o rumo da economia em um possível quarto mandato.
A expectativa do setor produtivo era por sinais de queda dos juros, mudança na rota fiscal, aumento da produtividade e busca pelo grau de investimento. Também havia interesse em saber quais seriam as prioridades econômicas a partir do ano que vem, independentemente do resultado das urnas em 4 de outubro.
Rodrigo Vidigal, CEO da Motorola no Brasil, afirmou que as empresas precisavam de uma direção para definir os próximos investimentos. “O Brasil precisa definir um rumo, um caminho para onde deseja ir”, disse. Para ele, também era necessário receber uma mensagem sobre a área fiscal.
Entre os participantes estavam Ivan Monteiro, CEO da Axia Energia; Milton Maluhy, CEO do Itaú; Isaac Sidney Menezes Ferreira, presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban); Lirio Parisotto; Carlos Sanchez, presidente da EMS; e Joesley Batista, controlador da J&F, dona da JBS.
Antes do discurso de Lula, Gustavo Pimenta, CEO da Vale, falou sobre o potencial dos minerais estratégicos e da transição energética. Segundo ele, o Brasil poderia dobrar a arrecadação com o avanço desses projetos.
Lula falou por 38 minutos. Ao abordar as contas públicas, disse que a estabilidade fiscal era obrigatória, mas deveria ser acompanhada de responsabilidade social. O presidente afirmou que o governo recebeu o país com 2,8% de déficit e pretendia entregá-lo com superavit de 0,1%.
O presidente também defendeu a elevação da renda e afirmou que um salário-mínimo de R$ 2 mil ou R$ 3 mil ainda não seria suficiente para transformar o Brasil em um país de classe média. O salário-mínimo, segundo ele, era de R$ 1.621.
Sobre a taxa de juros, Lula atribuiu parte da responsabilidade pelo ciclo de alta da Selic à defesa empresarial da autonomia do Banco Central. Ele também afirmou que manteve Henrique Meirelles por oito anos nas duas gestões anteriores.
A expectativa por uma sinalização mais direta de ajuste fiscal não foi atendida para parte dos executivos. Um deles avaliou que não havia sido apresentado nada novo. No entorno de Lula, porém, a avaliação era de que a mensagem havia sido clara.








