VENEZA — O filme Ink, dirigido por Danny Boyle, acompanha a estratégia de Rupert Murdoch ao comprar o jornal britânico The Sun, em 1969. A produção mostra como o empresário e o editor Larry Lamb transformaram um veículo que dava prejuízo em um tabloide de forte apelo popular.
A história se concentra na parceria entre Murdoch, interpretado por Guy Pearce, e Lamb, vivido por Jack O'Connell. O desafio dos dois era reestruturar o jornal em apenas um ano, com uma abordagem agressiva para disputar leitores com o Daily Mirror, líder de vendas no Reino Unido no final dos anos 1960.
Sensacionalismo e disputa por leitores
O filme apresenta a fórmula baseada no chamado infotainment, combinação de informação e entretenimento. No caso do The Sun, isso significava destacar crimes, escândalos, dramas humanos e fofocas, além de investir em manchetes e imagens de forte impacto.
A estratégia também incluiu um design mais arrojado e a criação da Página 3, com modelos fazendo topless. A produção trata esse período como um momento de transformação do jornalismo, associado à popularização de uma combinação de sexo, esporte e sensacionalismo nos tabloides.
A narrativa sugere ainda uma ligação entre essa fórmula e a manipulação de notícias, além da busca por títulos exagerados para atrair cliques e gerar engajamento. As consequências desse processo no mundo atual, porém, não são exploradas pelo filme.
Retrato de Murdoch
Ink abriu a recém-encerrada 83ª edição do Festival de Cinema de Veneza e terá suas primeiras exibições no Brasil dentro da programação do 28º Festival do Rio. As sessões estão marcadas para domingo (dia 4 de outubro), quinta (dia 8 de outubro) e domingo (dia 11 de outubro).
A forma como Murdoch é retratado gerou críticas entre pessoas que esperavam uma abordagem mais contundente sobre o dono de um império de mídia transcontinental. Boyle afirmou que o personagem não é apresentado como um monstro. “Naquela época, ele representou um sopro de ar fresco naquela sociedade britânica”, disse o diretor.
O longa é baseado na peça Ink, de James Graham, apresentada em Londres em 2017 e indicada ao prêmio Tony durante sua passagem pela Broadway, em 2019. Na adaptação para o cinema, Boyle ampliou o espaço de Larry Lamb, que, segundo o diretor, comandou a transformação do The Sun.
Graham afirmou que Murdoch assistiu à peça no West End e depois voltou a vê-la na Broadway. O roteirista também disse que o empresário teria gostado das cenas de impressão do jornal, marcadas pela presença de metal quente e pela sujeira do processo.








