A SulAmérica Investimentos ultrapassou R$ 100 bilhões em recursos sob gestão e administração. O próximo movimento da gestora será diversificar a composição desse patrimônio para aumentar a taxa média de administração, em vez de estabelecer uma nova meta de volume.
Marcelo Mello, CEO da asset, afirmou que a taxa média avançou 17% na comparação entre janeiro e setembro de 2025 e o mesmo período de 2026. Com carteiras mais diversificadas, ele estima um potencial adicional de crescimento de 15%.
“Todo o esforço do time está na direção de aumentar nossa taxa média, o fee médio”, disse Mello. A estratégia prevê ampliar a participação de produtos sofisticados e de maior valor agregado, que têm remuneração maior para a gestora.
Mudanças na carteira
Atualmente, 90% dos recursos estão em renda fixa e crédito privado. A renda fixa representa 54% do total, enquanto o crédito privado responde por 36%, principalmente em operações high grade. Os 10% restantes estão divididos entre multimercados e ações.
A mudança na composição depende também do cenário econômico. Para Mello, uma Selic entre 9,5% e 10%, junto de uma situação fiscal mais favorável, poderia estimular os clientes a assumir mais risco. Nesse ambiente, investidores poderiam reduzir a concentração em renda fixa e risco soberano e buscar outras classes de ativos.
Em outubro de 2025, a SulAmérica concluiu a transferência dos fundos da Athena Capital, que encerrou as atividades. Os sócios-fundadores passaram a comandar uma estratégia de renda variável desindexada dentro da asset, com aproximadamente R$ 700 milhões. A captação, por enquanto, é praticamente nula.
A gestora também tem cerca de R$ 5 bilhões em produtos ligados à infraestrutura e prepara uma estratégia ativa para o setor. Outra possibilidade é reforçar os multimercados macro de maior volatilidade, com a contratação de gestores ou equipes especializadas para atuar dentro da asset.
Captação e distribuição
Além dos juros elevados, a chegada aos R$ 100 bilhões foi impulsionada pela entrada de recursos novos. Desde 2024, cerca de R$ 16 bilhões foram captados pela SulAmérica, sem incluir a rentabilidade dos ativos. Em 2026, a captação líquida somou aproximadamente R$ 2,5 bilhões até agora.
A distribuição também foi ampliada. Há três anos, XP e BTG eram as principais portas de acesso dos investidores pessoa física aos produtos da gestora. Desde então, Itaú, Bradesco, Caixa e Banco do Brasil, entre outras instituições, passaram a distribuir os fundos. Hoje, a SulAmérica tem cerca de 30 acordos com bancos e plataformas.
Do patrimônio total, aproximadamente 60% estão com investidores institucionais e nas reservas técnicas da seguradora. Os 40% restantes estão principalmente nos bancos e nas plataformas de distribuição.
Fee-based e competição com ETFs
A expansão do modelo fee-based é outro fator que leva a gestora a ampliar sua oferta. No sistema de rebates, o distribuidor recebe parte da remuneração dos produtos presentes na carteira do cliente. No fee-based, o investidor paga diretamente pelo serviço de assessoria, o que reduz o peso da comissão do produto na remuneração do intermediário.
Em um dos principais parceiros da SulAmérica, a participação do fee-based passou de 8% para aproximadamente 17%. Como a asset tem entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões distribuídos por essa instituição, Mello calcula que cerca de R$ 1,7 bilhão já esteja nesse modelo.
A popularização dos ETFs no Brasil aumenta a pressão sobre produtos com taxas maiores. Como têm custos menores e escala maior, esses fundos ganham competitividade quando o rebate pesa menos na escolha do investidor.
Mello disse que a SulAmérica precisará combinar produtos sofisticados e gestão especializada para competir nesse ambiente. A intenção é elevar a taxa média sem aumentar as cobranças dos fundos atuais, mas alterando a composição do patrimônio sob gestão. Para o executivo, a diversificação das carteiras é mais importante do que o crescimento do próprio AUM.








