A Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores 2026, realizada pela Serasa Experian, indica que 53% dos profissionais entrevistados chegam ao fim do mês sem recursos suficientes para pagar todas as despesas. O índice foi de 54% no ano anterior.
Do total, 47% recorrem a algum recurso ou alternativa adicional para fechar as contas. Outros 6% também ficam sem dinheiro suficiente, mas não utilizam uma solução extra. Os 47% restantes afirmam terminar o período com recursos disponíveis.
Para Délber Lage, diretor de Soluções para RH da Serasa Experian, a dificuldade de equilibrar o orçamento representa uma pressão persistente sobre a saúde financeira dos trabalhadores. Ele afirma que a falta de margem pode comprometer a capacidade de lidar com imprevistos e levar à busca por alternativas para complementar a renda ou financiar despesas do dia a dia.
Efeitos na saúde e no trabalho
Entre os participantes que enfrentaram ou ainda enfrentam problemas financeiros nos últimos cinco anos, 44% relatam irritabilidade e 44% mencionam insônia. A pesquisa também registra alterações significativas de peso, depressão, dores físicas e isolamento social entre os efeitos associados às dificuldades financeiras.
No ambiente profissional, 51% relatam estresse durante o expediente. A exaustão extrema e o esgotamento físico foram citados por 46%. Também aparecem redução da atenção, apontada por 35%, e queda de produtividade, mencionada por 33%.
Lage relaciona esses reflexos à discussão sobre fatores psicossociais no trabalho após a nova redação da NR-1. Segundo ele, isso não significa incluir a vida financeira individual no PGR, mas considerar que seus efeitos podem aparecer durante o expediente. O executivo defende ações coordenadas das empresas e das lideranças, com educação financeira, benefícios e soluções de bem-estar financeiro.
Alimentação lidera despesas
Entre os trabalhadores que não conseguem terminar o mês com dinheiro suficiente, a alimentação é a principal pressão sobre a renda, citada por 78%. As contas da casa, como luz, água e gás, aparecem em seguida, com 72%.
Financiamentos de imóveis ou veículos foram mencionados por 44% dos entrevistados. Roupas, utilidades e outros produtos de consumo somam 43%; empréstimos, 33%; e gastos relacionados a estudos, 22%.
A pesquisa indica que o desequilíbrio não está ligado necessariamente a uma única categoria. Despesas essenciais convivem com compromissos financeiros assumidos anteriormente, reduzindo o espaço para reservas e para o pagamento de gastos inesperados.
Pesquisa e participação no CONARH
A Serasa Experian participa pela primeira vez do CONARH em 2026. No evento, a empresa apresenta soluções voltadas à gestão de pessoas e aborda temas como recrutamento, compliance, monitoramento, Crédito do Trabalhador, benefícios com desconto em folha e saúde financeira dos colaboradores.
Délber Lage apresenta no encontro os resultados da Pesquisa de Bem-Estar Financeiro dos Trabalhadores 2026, ampliando a discussão sobre os efeitos da situação financeira dos profissionais dentro e fora das empresas.
A edição de 2026 da Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores ouviu 1.008 profissionais de empresas públicas e privadas, incluindo contratados pelo regime CLT e pessoas que atuam como Pessoa Jurídica. As entrevistas ocorreram em painel on-line entre 12 e 30 de junho de 2026.
O estudo tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. A pesquisa de 2024 ouviu 802 trabalhadores, enquanto a edição de 2025 contou com 1.029 participantes. Em 2025 e 2026, foi utilizado um painel de respondentes diferente do empregado em 2024.







