Manaus, Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Viajar com informação
Brasil

Associação de tiro usou R$ 920 mil em empresas do próprio presidente

Entidade recebeu R$ 1 milhão em parceria com o Ministério do Esporte para projeto em Saltinho (SP).

Emenda de Mario Frias bancou fraude em projeto de tiro de R$ 1 milhão
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Associação Nacional Rifle (ANR) destinou R$ 920 mil a duas empresas que têm Rafael Buscariol Zampaulo, presidente da entidade, como sócio-administrador. Os pagamentos ocorreram após a associação receber R$ 1 milhão do Ministério do Esporte para um projeto de incentivo ao tiro ao prato em Saltinho (SP).

A verba foi obtida por meio de termo de fomento. Mais da metade dos recursos veio de uma indicação do deputado federal Mario Frias ao orçamento da União em 2025. Também houve indicação do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança.

Empresas contratadas

A Company Thzt Security LTDA recebeu R$ 527 mil, enquanto o Clube de Tiro Desportivo Red Neck LTDA recebeu R$ 392 mil. Registros da Receita Federal apontam que Zampaulo é um dos sócios-administradores das duas empresas.

Os pagamentos foram associados à compra de materiais e à contratação de pessoal para a execução do projeto. Notas fiscais enviadas ao Ministério do Esporte registram cerca de R$ 200 mil na aquisição de 10 máquinas lançadoras automáticas e R$ 62,4 mil na compra de óculos de proteção balística.

Também foram registrados R$ 90 mil em munições calibre 12, R$ 110 mil pagos por 72 diárias de estande de tiros e R$ 45,4 mil pela locação de dez espingardas.

A contratação de empresas ligadas ao presidente da ANR contraria o termo de fomento, que estabelece a observância do princípio da impessoalidade. Ao assinar o acordo, Zampaulo declarou que não usaria os recursos para contratar empresas do mesmo grupo econômico, com participação societária cruzada ou ligadas a parentes de dirigentes e funcionários da entidade.

Respostas

Luiz Philippe de Orleans e Bragança afirmou que a indicação dos recursos considerou a finalidade pública e os critérios técnicos apresentados. O deputado atribuiu à entidade executora a responsabilidade pela execução financeira, pelas contratações e pela prestação de contas, sob fiscalização dos órgãos competentes.

O parlamentar também informou que cobrará esclarecimentos do Ministério do Esporte sobre a fiscalização e a regularidade da aplicação dos recursos. Caso sejam confirmadas irregularidades, defendeu a apuração e a responsabilização dos envolvidos.

O presidente da ANR e Mario Frias foram procurados, mas não responderam.

O Ministério do Esporte disse ter tomado conhecimento das possíveis irregularidades por meio da imprensa. A pasta afirmou que declarações falsas podem resultar em responsabilização civil e criminal da entidade e de seus responsáveis.

Se as irregularidades forem confirmadas, o ministério informou que poderá glosar despesas, exigir a devolução dos recursos, reprovar as contas e instaurar Tomada de Contas Especial. Também poderão ser encaminhadas representações aos órgãos de controle, ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Operação envolvendo Mario Frias

Na quinta-feira (10/9), Mario Frias foi alvo de mandado de busca e apreensão determinado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida ocorreu em um inquérito sobre a relação entre emendas parlamentares e o custeio do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Operação Make Up, da Polícia Federal, cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. Após a operação, Frias negou irregularidades e disse que colaboraria com as investigações.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5