João e Lúcia recuperaram uma nascente que quase secava completamente durante o período de estiagem. Vinte anos depois do início do trabalho, a água voltou a correr durante todo o ano, ainda que com menor vazão nos meses secos.
No começo, o casal acreditava que a falta de chuva era a principal causa do problema. Com o tempo, percebeu que o gado entrava diretamente na área, compactava o solo e pisoteava as margens. A pouca vegetação também fazia com que a água da chuva escorresse rapidamente pela superfície, levando terra e formando sulcos.
A orientação de um técnico foi cuidar de todo o entorno, e não apenas do ponto em que a água aparecia. João cercou a nascente e parte das margens do curso d’água. Os animais passaram a beber em outro ponto, abastecido por tubulação.
Sem o pisoteio constante, a vegetação começou a retornar. Algumas plantas nasceram naturalmente; outras foram cultivadas pelo casal. Espécies nativas foram plantadas, trechos de solo exposto receberam cobertura vegetal e as margens passaram a ficar protegidas contra a erosão.
Recuperação gradual
Nos primeiros anos, a mudança foi pequena. As mudas ainda eram pequenas e a nascente continuava perdendo força durante a estiagem. Conforme as raízes cresceram e o solo acumulou matéria orgânica, a chuva passou a infiltrar melhor. Parte da água deixou de escorrer rapidamente e começou a alimentar lentamente o sistema subterrâneo que abastece a nascente.
Depois de aproximadamente uma década, uma faixa verde havia surgido onde antes predominava a pastagem. Árvores plantadas cresceram, novas espécies chegaram naturalmente e o chão passou a ficar coberto por folhas. O local também passou a receber mais pássaros, insetos e pequenos animais.
João afirma que as árvores não criaram água. Na avaliação dele, a recuperação devolveu ao terreno melhores condições para armazenar e liberar lentamente a água recebida das chuvas.
Durante o processo, o casal conheceu iniciativas de órgãos públicos, comitês de bacias e projetos locais voltados à proteção de nascentes. Em diferentes regiões do Brasil, há programas que oferecem mudas, cercamento, assistência técnica ou incentivos a produtores que conservam áreas importantes para a água. Também existem modelos de Pagamento por Serviços Ambientais, com regras que variam conforme a região.
A área ao redor da nascente continua cercada, e novas mudas são plantadas quando surgem clareiras. Para João e Lúcia, a mudança resultou da combinação entre retirar o gado, proteger as margens, recuperar a vegetação e permitir que o solo voltasse a armazenar água.







