O controle da gramínea invasora Spartina anglica em Duck Bay, na Tasmânia, foi seguido pela recuperação da biodiversidade aquática do estuário. Três anos após as intervenções, o número de espécies registradas passou de cinco para onze, enquanto a média de animais capturados por rede subiu de dois para quarenta e cinco exemplares.
Introduzida no século passado para conter a erosão costeira, a planta se espalhou além do esperado e formou áreas densas na baía. A vegetação ocupou as marismas nativas e dificultou o acesso de organismos ao berçário litorâneo. Com a redução das plantas originais, peixes pequenos perderam abrigo entre as raízes, e as planícies costeiras deixaram de oferecer condições adequadas para a fauna aquática.
Tratamento e recuperação da marisma
Voluntários e cientistas adotaram um plano de controle químico para eliminar os focos da espécie exótica. O produto foi aplicado com pulverizadores costais, veículos adaptados e drones. O trabalho também incluiu a remoção contínua de touceiras remanescentes, para evitar novos brotos.
Após a erradicação, plantas rasteiras nativas voltaram a ocupar as margens. A vegetação permitiu a circulação da maré alta, que passou a distribuir matéria orgânica e invertebrados pelas poças rasas. Esse ambiente ofereceu abrigo para o desenvolvimento de alevinos e retomou a disponibilidade de alimento para a fauna do estuário.
Pesquisadores que examinaram o trato digestivo de tainhas encontraram pequenos anfípodes e insetos. O resultado indicou que os peixes utilizavam a marisma recuperada para se alimentar, e não apenas como área de passagem.
Em Morgans Bay, os peixes haviam desaparecido antes da retirada do capim invasor. Três anos depois do início dos trabalhos, a densidade de peixes alcançou níveis comparáveis aos de pântanos intocados. O monitoramento também apontou o retorno da vegetação nativa, o aumento de peixes comerciais e juvenis e a recomposição da oferta de alimento durante a maré cheia.







