Elias chegou à rampa antes do amanhecer para evitar um crocodilo que vinha aparecendo no local, mas encontrou o animal deitado sobre a corda usada para prender o barco. A lanterna revelou primeiro parte da cauda e, depois, o corpo inteiro atravessado sobre a madeira. O pescador estava a menos de oito metros quando percebeu a situação.
Ele não tentou puxar a corda, lançar objetos ou espantar o crocodilo. Recuou lentamente até uma área mais alta e permaneceu no local. Durante quase 40 minutos, o animal praticamente não se moveu. Depois, levantou a cabeça, virou o corpo e entrou na água. Elias ainda esperou alguns minutos antes de se aproximar da rampa.
Mudança de rotina
O crocodilo havia sido visto pela primeira vez numa terça-feira, quando Elias lavava uma faca na margem. Inicialmente, ele pensou que se tratasse de um tronco. Ao perceber a cabeça do animal, recuou. O crocodilo ficou parado por alguns minutos e mergulhou.
Dois dias depois, voltou ao mesmo ponto. Na semana seguinte, Elias o viu três vezes. O animal aparecia perto da rampa de madeira onde o pescador limpava parte dos peixes antes de ir para casa. Em algumas ocasiões, ficava com os olhos e parte do focinho fora da água; depois, passou a subir na margem.
Elias pescava havia quatro semanas naquele trecho, onde o nível da água estava bom e os peixes apareciam perto de uma curva mais funda. Após a terceira aparição, deixou de limpar os peixes na rampa e passou a guardar a pesca em uma caixa com gelo para fazer o serviço em casa. Também passou a observar a margem antes de encostar o barco e evitou permanecer no local depois do pôr do sol.
“Ele não vinha correndo atrás de ninguém. O problema era justamente ele ficar parado”, contou Elias.
O encontro antes do amanhecer
Por alguns dias, a alteração funcionou. Até que Elias viu o crocodilo perto da rampa antes das 15h. Ele decidiu inverter a rotina, sair antes do amanhecer, recolher as redes rapidamente e voltar enquanto havia pouca movimentação.
Às 5h20, chegou com uma lanterna pequena e percebeu que a corda estava coberta pelo corpo do animal. Sem conseguir acessar o barco, preferiu esperar. Depois do episódio, passou a usar outro ponto para colocar a embarcação na água e deixou de frequentar aquela margem em horários de pouca luz.
O crocodilo ainda foi visto outras vezes no mesmo trecho, mas Elias nunca mais chegou tão perto. A corda permaneceu no barco, com uma parte coberta de lama e achatada pelo peso do animal. Antes de encostar em qualquer margem, o pescador passou a diminuir o motor, observar a água e esperar alguns segundos.







