Os monólitos de Devil’s Arrows, perto de Boroughbridge, em Yorkshire, foram construídos com pedras transportadas por grupos humanos desde Brimham Rocks, uma formação rochosa a dezoito quilômetros a oeste. A conclusão foi obtida a partir da análise da composição mineral dos blocos, que pesam mais de vinte e cinco toneladas.
Os três pilares que permanecem no local chegam a quase sete metros de altura e são feitos de arenito Millstone Grit. A rocha não é encontrada na área imediata do alinhamento, uma das razões pelas quais a origem das pedras era investigada. Registros antigos indicam que o conjunto tinha mais estruturas verticais.
Análise da origem
Pesquisadores da Curtin University e da University of York examinaram minerais como zircão e apatita para criar uma assinatura química dos monumentos. O método permitiu comparar a composição dos pilares com a de formações rochosas da região sem danificar as estruturas.
Os resultados associaram os monólitos a Brimham Rocks e descartaram o transporte natural por geleiras. A identificação indica que as comunidades neolíticas deslocaram intencionalmente os blocos até o alinhamento final, apesar da distância e do peso das peças.
Fontes alternativas de arenito estavam mais próximas, mas não foram escolhidas. O deslocamento exigia coordenação de trabalhadores, definição de rotas e técnicas para superar os desníveis do terreno. Entre as possibilidades levantadas pela pesquisa estão o uso de trenós de madeira, roletes vegetais, cordas e estruturas de madeira.
A integração de rios da região também pode ter oferecido caminhos para o transporte. A operação dependia ainda da organização do sustento das equipes envolvidas e de uma mobilização contínua de força de trabalho.
Pedra reutilizada em cruz medieval
A pesquisa também relacionou uma pedra que desapareceu do alinhamento à Aldborough Battle Cross. Fragmentos esculpidos da cruz medieval apresentam a mesma assinatura mineral dos monólitos de Devil’s Arrows, indicando que parte da rocha de um dos pilares foi reutilizada na construção.
O caso conecta diferentes períodos da história de Yorkshire e mostra que a quarta pedra do conjunto teve outro uso ao longo do tempo.







