Uma família não conseguiu identificar quem dirigia um carro no momento de uma infração registrada meses antes. A multa chegou ao pai, que era o proprietário do veículo, depois de o automóvel ter sido usado pelo filho durante algumas semanas para facilitar o trajeto até o trabalho.
A notificação informava a placa, o local, a data e o horário da infração. Como os dois utilizavam o carro, nenhum conseguiu afirmar com segurança quem estava ao volante naquele instante. O pai tinha uma compra marcada na agenda, mas o registro não indicava como ele havia chegado ao local. O filho lembrava que tinha trabalhado naquele dia, embora sua escala pudesse ter sido alterada.
Registros insuficientes
O empréstimo começou com uma finalidade temporária: o filho usaria o carro nos dias em que saísse mais tarde do serviço. Depois, o uso se estendeu a turnos extras, uma consulta e a retirada de uma encomenda. O pai continuou usando o veículo pela manhã. A chave permanecia no mesmo gancho, e os dois apenas avisavam um ao outro de passagem.
Não havia data definida para o fim do acordo nem registro das retiradas. Um recibo de combustível confirmou que alguém abasteceu o carro no dia da infração, mas não indicou quem dirigiu depois. Uma conversa mostrou que o filho sairia mais cedo do trabalho. Um comprovante de estacionamento, emitido antes do horário da multa, apontou onde o veículo possivelmente esteve em parte do dia, sem identificar o condutor.
A localização do telefone de um deles estava desligada naquela semana. Ao consultar o prazo e o procedimento para indicar o motorista, pai e filho entenderam que não deveriam informar um nome baseado em palpite. Eles reuniram os documentos e decidiram não atribuir a direção a quem não conseguiam identificar.
Novo acordo para o carro
A dúvida também trouxe à tona discussões sobre combustível, limpeza e manutenção. Depois, os dois separaram essas questões do tratamento da multa. O pai não considerou que ser o titular do documento comprovasse que estava dirigindo, e o filho não aceitou assumir uma infração incerta apenas para resolver o problema.
Na semana seguinte, eles começaram a registrar no grupo da família a retirada e a devolução do veículo, com hora aproximada e destino. Também combinaram avisar antes de emprestar o carro a terceiros. A multa seguiu o trâmite cabível, sem que a família apresentasse uma certeza que não possuía.







