Flores de cactos que abrem à noite podem depender da visita de morcegos para produzir frutos. No semiárido, esses animais procuram o néctar, encostam nas estruturas que liberam pólen e podem levar o material até o estigma de outra flor da mesma espécie.
Como ocorre a polinização
O cacto Pilosocereus tuberculatus floresce durante o período noturno, quando os morcegos estão ativos em busca de alimento. Olfato, visão e voo ajudam os animais a localizar as flores. Ao alcançar o néctar, o corpo do visitante entra em contato com o pólen, que pode ser transferido em uma visita posterior.
A abertura noturna, o formato da flor e a posição de estames e estigma influenciam a eficiência desse processo. Nem toda visita resulta em fruto, e diferentes espécies de morcego podem ter desempenhos distintos. A compatibilidade entre as plantas, as condições ambientais e a quantidade de visitas também afetam a frutificação.
O que os estudos observam
Pesquisas de biologia floral registram o horário de abertura das flores, identificam visitantes e verificam se houve contato com as estruturas reprodutivas. Também podem comparar a formação de frutos em condições diferentes, com acompanhamento das flores e exclusão de visitantes.
Esses procedimentos distinguem a polinização efetiva do simples consumo de néctar. Uma câmera noturna mostra o comportamento do animal, mas não revela sozinha quantos frutos serão formados depois. Em Pilosocereus tuberculatus, os resultados apontam os morcegos como polinizadores predominantes.
A distância do transporte
Morcegos conseguem percorrer distâncias consideráveis ao buscar alimento, o que permite o transporte de pólen entre flores afastadas. No entanto, a distância do voo não comprova, por si só, quantos quilômetros um grão de pólen percorreu. Para medir essa escala, seriam necessários rastreamento, análise genética ou outro método específico.
Se o pólen compatível chegar ao estigma e a fecundação ocorrer, a flor poderá formar um fruto com sementes. Chuva, temperatura e disponibilidade de recursos também influenciam o desenvolvimento. A presença de morcegos, portanto, não garante uma colheita abundante em qualquer período.
A relação reúne um contato de curta duração entre flor, focinho e pólen e um processo que pode levar semanas até o amadurecimento do fruto. A reprodução da planta começa com a visita noturna, mas seus efeitos dependem das condições de cada população e paisagem.







