O núcleo interno da Terra continua girando com o planeta, mas mudou sua velocidade em relação ao manto, indica um estudo publicado na Nature em 2024. A análise não aponta que o centro do planeta tenha parado completamente nem que a Terra esteja prestes a inverter sua rotação.
Formado principalmente por ferro e níquel, o núcleo interno é uma esfera sólida cercada pelo núcleo externo líquido. Sua rotação pode ocorrer um pouco mais rápido ou mais devagar que a das camadas externas do planeta. Os pesquisadores identificaram uma super-rotação gradual entre aproximadamente 2003 e 2008, seguida por uma mudança no movimento por volta de 2008. Entre 2008 e 2023, houve sub-rotação e um retorno lento por posições relativas já ocupadas anteriormente.
Como o movimento foi identificado
Sem acesso direto às regiões profundas da Terra, os geofísicos analisaram ondas sísmicas de terremotos repetidos. O estudo reuniu 143 pares de terremotos, formados a partir de 121 eventos registrados entre 1991 e 2023 nas Ilhas Sandwich do Sul.
Parte das ondas atravessa o núcleo interno antes de alcançar instrumentos na superfície. Ao comparar terremotos semelhantes ocorridos em anos diferentes, os pesquisadores observaram mudanças nos sinais e, depois, o retorno a formas anteriores. Esse padrão indica alterações na posição relativa do núcleo interno em relação ao manto.
A dinâmica envolve o núcleo externo líquido, o campo magnético, o acoplamento gravitacional exercido pelo manto e a transferência de momento angular entre as camadas do planeta. Esses fatores podem produzir variações na velocidade do núcleo em escalas de anos ou décadas.
Efeitos na duração do dia
Pesquisas relacionam os movimentos do interior terrestre a pequenas oscilações na duração dos dias. Um estudo publicado na Nature Geoscience em 2023 identificou uma variação de várias décadas na rotação diferencial do núcleo interno que coincide com mudanças na duração dos dias e no campo magnético terrestre.
As alterações ocorrem na escala de milissegundos e não dependem apenas do núcleo. Atmosfera, oceanos, movimentos do manto e redistribuições de massa dentro do planeta também interferem na velocidade de rotação da Terra.
Até agora, não há evidência de que a mudança no movimento relativo do núcleo interno provoque efeitos diretamente perceptíveis no corpo humano ou alterações repentinas na rotina. O estudo de 2024 demonstrou a progressão e a regressão do núcleo por meio de registros sísmicos, sem concluir que as pessoas estejam sentindo fisicamente o fenômeno. A descoberta contribui para o estudo da dinâmica profunda da Terra, a mais de 5 mil quilômetros abaixo da superfície.







