A família descobriu que o quintal fazia parte de uma rota de passagem de um felino depois de analisar pegadas, fotografias e imagens noturnas. A equipe ambiental avaliou que o animal poderia ser uma onça-parda, mas a identificação foi tratada com cautela e baseada no conjunto de evidências.
Rosa enviou ao órgão ambiental fotografias das marcas com uma escala. As pegadas eram arredondadas, não mostravam sinais evidentes de unhas e apareciam em uma sequência regular. Esses elementos ajudaram a afastar a possibilidade de que um cachorro estivesse circulando pela propriedade.
A câmera havia sido instalada após alterações no entorno do galinheiro. As galinhas apareciam agitadas pela manhã, uma tela lateral estava amassada e nenhuma ave havia desaparecido. Na terceira madrugada, o equipamento registrou o felino atravessando o quintal, parando por alguns segundos diante do cercado e seguindo em direção à mata.
Passagem, não permanência
Em menos de um minuto, o animal farejou o chão, observou o cercado e passou entre a casa e a área de mata. Registros feitos em outras noites indicaram horários diferentes e nenhuma aproximação da varanda. Para a equipe, a propriedade parecia funcionar como um corredor, e não como local de permanência.
Mapas e relatos de vizinhos mostraram vegetação conectando duas áreas de mata. O felino aproveitava cercas baixas e trechos sem iluminação. Órgãos de conservação explicam que grandes felinos podem cruzar áreas rurais em busca de abrigo e presas, mas o comportamento daquela onça só poderia ser interpretado a partir dos registros locais.
Medidas adotadas pela família
As galinhas passaram a dormir em uma estrutura fechada, com tela reforçada no teto e na base. Ração e restos deixaram de ficar do lado de fora. Cães e gatos também passaram a permanecer dentro de casa à noite.
A família instalou iluminação de presença e não tentou perseguir, alimentar ou cercar o animal. A equipe ambiental orientou os moradores a manter distância e comunicar novos registros. Armas, armadilhas e veneno foram descartados porque poderiam colocar pessoas, animais domésticos e a fauna em risco.
Depois das mudanças, a câmera registrou duas passagens distantes, sem parada junto ao galinheiro. Rosa manteve contato com a equipe e preservou os registros. A família também passou a observar horários e detalhes para comparar novos sinais sem transformar o quintal em armadilha ou atrativo para o felino.







