CALIFÓRNIA — Mais de cinquenta e cinco acres de habitat marinho foram restaurados até 2020 após uma operação de retirada de ouriços roxos na costa da Califórnia. O trabalho, iniciado em 2013, permitiu o retorno de florestas de algas kelp e de espécies que dependem dessa vegetação.
A iniciativa foi coordenada pela The Bay Foundation e contou com pesquisadores, ambientalistas e pescadores comerciais. Cinco pescadores profissionais participaram das atividades no fundo do mar, acumulando mais de oito mil horas de trabalho manual para recolher cerca de quatro milhões de ouriços.
O desequilíbrio nos recifes
A degradação começou depois que resíduos industriais tóxicos contaminaram as águas da península de Palos Verdes em meados do século passado. O impacto enfraqueceu a vegetação costeira e favoreceu o crescimento descontrolado das populações de ouriços roxos.
Com poucos predadores para limitar a proliferação, os animais passaram a consumir a base vegetal e também os brotos recentes de algas marinhas. A pressão sobre a vegetação impediu a recuperação natural das plantas e deixou recifes sem a cobertura necessária para oferecer abrigo e alimento a outras espécies.
Retirada manual e recuperação
A estratégia adotada foi reduzir a quantidade de ouriços diretamente nos recifes. As operações de mergulho abriram espaço para que as algas kelp voltassem a crescer e recuperassem a estrutura do habitat submarino.
A regeneração da vegetação trouxe de volta peixes, caranguejos e outros animais associados às florestas de algas. O retorno da cobertura vegetal também recompôs áreas que haviam sido transformadas em zonas rochosas sem a diversidade anterior.
A experiência reuniu conhecimento científico e a familiaridade dos pescadores com a costa. A recuperação dos recifes mostrou que a remoção dos ouriços, combinada com o crescimento das algas, pode reverter a degradação de áreas marinhas afetadas por desequilíbrios ecológicos.







