Uma pedreira de Oxfordshire, na Inglaterra, revelou milhares de pegadas de dinossauros preservadas em longas trilhas. As marcas atravessam o piso por mais de cem metros e foram formadas há cerca de 166 milhões de anos, quando os animais caminharam sobre sedimentos que depois foram cobertos e enterrados.
A descoberta começou quando Gary Johnson, trabalhador da pedreira Dewars Farm, percebeu ressaltos incomuns durante a remoção de argila. A observação levou especialistas das universidades de Oxford e Birmingham a organizar uma escavação em 2024. Mais de cem pesquisadores, estudantes e voluntários participaram da limpeza e produziram milhares de imagens do local.
As marcas maiores e arredondadas são atribuídas a saurópodes, provavelmente Cetiosaurus, dinossauros herbívoros de pescoço longo. Uma das trilhas, identificada por pegadas com três dedos, é associada a um terópode carnívoro, provavelmente Megalosaurus. As atribuições consideram o formato e as proporções das marcas, a idade da rocha e os animais conhecidos na região. Como os pés dos animais não foram encontrados, os nomes não correspondem a indivíduos específicos.
O que as trilhas registram
A distância entre os passos, o tamanho das pegadas e a geometria dos trajetos permitem estimar a altura do quadril e a velocidade dos animais. A orientação indica a direção do deslocamento, enquanto a profundidade e a deformação mostram como cada pé atingiu o sedimento.
As trilhas que se cruzam não comprovam que houve perseguição, porque podem ter sido formadas em momentos diferentes. O estudo combina limpeza controlada, fotografia de cada pegada, fotogrametria em três dimensões e análise da passada e do sedimento.
A preservação ocorreu porque a lama era macia o suficiente para registrar a pisada e firme o bastante para manter sua forma. Novas camadas cobriram as marcas, que se consolidaram até serem expostas pela mineração. Algumas são pegadas verdadeiras; outras podem ser contramoldes ou deformações em camadas inferiores.
A fotogrametria converte fotografias sobrepostas em modelos tridimensionais. Moldes, medições e amostras complementam o registro antes que o clima e a atividade industrial alterem a superfície. A conservação de longo prazo depende de acordos entre proprietários, cientistas e autoridades.







