ALBERTA — Uma escavadeira atingiu, em 2011, um bloco com a parte dianteira de um dinossauro encouraçado durante a extração de areia betuminosa. O fóssil, identificado como um nodossauro, preservava placas de armadura, pele e o contorno tridimensional do corpo.
O operador Shawn Funk percebeu padrões incomuns e a equipe interrompeu a mineração. Especialistas do Royal Tyrrell Museum organizaram a retirada do bloco, que era muito grande. O material estava em sedimentos marinhos do Cretáceo. A hipótese é que o animal, que vivia em terra, tenha sido levado por um rio até o mar, afundado e rapidamente coberto no fundo.
Preparação do fóssil
Minerais mantiveram as placas na posição original e conservaram impressões e restos de tecidos. Em vez de encontrar apenas ossos separados, os pesquisadores receberam um registro do volume corporal do animal. A espécie foi chamada de Borealopelta markmitchelli, em homenagem a Mark Mitchell, que dedicou milhares de horas à preparação do exemplar.
A remoção da rocha exigiu ferramentas finas, adesivos e microscópios. Os preparadores retiraram a matriz grão por grão, comparando textura e cor para distinguir o sedimento do fóssil. Uma intervenção rápida poderia eliminar informações que não poderiam ser recuperadas.
Indícios sobre cor e alimentação
Análises químicas de resíduos orgânicos foram interpretadas como sinais de uma região dorsal mais escura e de um ventre mais claro. Esse padrão, conhecido como contrassombreamento, poderia reduzir a percepção do volume do corpo. A reconstrução das cores, porém, depende da preservação e da comparação dos compostos alterados.
A distribuição das placas e dos espinhos permitiu estimar como a proteção se organizava no pescoço e no dorso. O conteúdo estomacal preservado também trouxe pistas sobre a última alimentação do animal. O mesmo indivíduo reúne informações sobre postura, revestimento, dieta e ambiente.







