O tubarão-duende consegue projetar as mandíbulas para fora da cabeça durante o ataque. O conjunto avança, prende a presa e retorna à posição original em um movimento registrado por análises de vídeo.
Ligamentos e articulações permitem que a mandíbula alcance uma distância muito maior do que a observada em outros tubarões estudados. O movimento ocorre em duas etapas, com velocidade próxima de 3,1 metros por segundo. A estratégia foi chamada por pesquisadores de slingshot feeding, ou alimentação por estilingue.
O animal abre a boca, lança o conjunto de mandíbulas e fecha os dentes sobre peixes, lulas ou crustáceos. A mandíbula projetável permite alcançar a presa sem que o corpo inteiro precise acelerar de repente. Isso pode ser vantajoso para um tubarão de musculatura relativamente flácida, que vive em um ambiente onde economizar energia é importante.
Sensores e aparência
O focinho comprido e achatado tem ampolas de Lorenzini, órgãos capazes de perceber campos elétricos fracos produzidos pelos músculos de outros animais. Em águas profundas, onde a luz é mínima, esse sentido ajuda a encontrar alimento oculto.
A pele translúcida deixa vasos sanguíneos aparentes e produz tons rosados ou arroxeados. Fora d’água, a iluminação e o estresse podem alterar a cor, fazendo com que fotografias acentuem diferenças.
O tubarão-duende é associado informalmente ao grupo dos chamados fósseis vivos. A expressão não significa ausência de evolução: a aparência da espécie resulta de adaptações atuais a um ambiente extremo.
Risco para pessoas
Encontros com seres humanos são excepcionalmente raros porque a espécie vive em profundidade e não costuma ocupar áreas de banho. A maior parte dos exemplares conhecidos foi capturada acidentalmente por pescarias.
Embora seus dentes e seu mecanismo de ataque sejam eficientes contra as presas, isso não transforma o animal em caçador de pessoas. O registro em vídeo permitiu medir a velocidade e o alcance do movimento da mandíbula, que antes podia parecer um efeito de cinema.







