PARIS — Quase 400 das 3.700 escolas de ensino médio da França permaneceram fechadas nesta sexta-feira durante os protestos estudantis. O Ministério da Educação informou que houve ações ou interrupções das atividades em 564 estabelecimentos.
Desde o início do movimento, mais de 300 policiais e gendarmes ficaram feridos. Também foram atingidos 65 funcionários do Ministério da Educação, incluindo 40 diretores de escolas, e 170 alunos, conforme as autoridades.
Detenções e danos
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, disse que pediu aos promotores que responsabilizem os pais pelos danos provocados pelos filhos nas manifestações e que eles “paguem pelos reparos”. Segundo o ministro, quase 2.000 pessoas foram detidas, das quais 90% eram menores de idade.
As primeiras detenções levaram a condenações à prestação de serviços à comunidade nos tribunais. Em Belfort, no nordeste francês, um policial foi agredido por manifestantes descritos como “arruaceiros” pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Houve confrontos entre jovens e forças de segurança em Paris e Estrasburgo. Na capital, dezenas de estudantes bloquearam pela manhã a entrada da escola Turgot. Alguns usavam capuzes e exibiam faixas com reivindicações sobre a rotina escolar e a atuação policial.
Reivindicações dos estudantes
Os alunos reclamam do excesso de aulas, das ausências de professores e da falta de substitutos. Simon, de 15 anos, afirmou que a jornada vai das oito da manhã às seis da tarde e que ainda são necessárias duas horas de estudo em casa, o que reduz o tempo para atividades extracurriculares.
Anna, também de 15 anos, relatou que as temperaturas chegaram a 37ºC durante a onda de calor e disse que as salas são frias no inverno. Ela criticou os gastos com dispositivos destinados a garantir a proibição de celulares nas escolas.
Em Marselha, no sul do país, muitas escolas adotaram aulas remotas após os protestos interromperem os transportes na quinta-feira. O ministro da Educação, Édouard Geffray, reuniu-se com sindicatos e associações estudantis, mas os representantes mantiveram o chamado para uma jornada de protestos na próxima terça-feira, diante da falta de “medidas concretas”.







