DUBAI — As exportações de petróleo da Arábia Saudita pelo porto de Yanbu caíram para 1,5 milhão de barris por dia em agosto, depois que os houthis retomaram ataques contra navios sauditas. O movimento ocorre enquanto o Estreito de Bab el-Mandeb se torna uma rota ainda mais importante para o país, após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
Os houthis, grupo pró-Irã que atua no Iêmen, tomaram Moca, cidade portuária situada 70 km ao norte de Bab el-Mandeb, nesta quinta-feira 10. A Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita, respondeu com dezenas de ataques aéreos realizados por caças F-15 e Typhoon.
Uma passagem entre dois mares
Com aproximadamente 100 quilômetros de extensão e 30 quilômetros de largura, Bab el-Mandeb separa o Iêmen do Chifre da África. O estreito se estende entre Ras Menheli, na costa iemenita, e Ras Siyyan, no Djibuti. Os dois cabos delimitam a passagem entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden.
O nome significa “Porta dos Lamentos” em árabe. Petroleiros e navios mercantes que saem da Ásia usam a rota para alcançar o Mar Vermelho, o Canal de Suez e o Mediterrâneo, no caminho para a Europa. O trajeto também pode ser percorrido no sentido contrário.
Os houthis não controlam diretamente todo o litoral junto ao estreito. O grupo, porém, passou a controlar Moca e o porto de Hodeida, mais ao norte. Testemunhas relataram a entrada dos combatentes na cidade, com palavras de ordem contra os Estados Unidos e Israel. Uma fonte militar afirmou que os houthis também tomaram a ilha de Zuqar, no sul do Mar Vermelho, após ataques com foguetes e uma operação terrestre apoiada por embarcações.
Efeito sobre petróleo e navegação
Desde julho, os houthis mantêm um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e atacaram vários navios do país. O grupo nega que pretenda fechar Bab el-Mandeb ou cobrar direitos de trânsito. Para o Instituto para o Estudo da Guerra, a estratégia busca elevar os custos econômicos e políticos do conflito para Riade e pressionar a monarquia a interromper suas operações militares.
O estreito respondia por 12% do fluxo global de petróleo em 2023, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA. Durante a guerra em Gaza, os ataques houthis reduziram o tráfego na área. O fechamento de Ormuz pelo Irã ampliou a dependência saudita da rota pelo Mar Vermelho.
As exportações de Yanbu tiveram média de 3,8 milhões de barris por dia entre março e julho, aproximadamente cinco vezes o nível pré-guerra, conforme a Kpler. Em agosto, porém, recuaram para 1,5 milhão de barris por dia. O Brent superou 106 dólares o barril nesta quinta-feira, maior nível desde maio.
Para Andreas Krieg, especialista em segurança do King’s College London, “o maior perigo não é necessariamente o fechamento físico de Bab el-Mandeb, mas a incerteza persistente”.
Novo conflito no Iêmen
A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguidos por ações de represália de Teerã. Os houthis permaneceram neutros no início, mas permitiram, em julho, o pouso de uma aeronave iraniana no Iêmen, apesar do controle saudita do espaço aéreo.
A resposta do governo apoiado pela Arábia Saudita rompeu o cessar-fogo firmado em 2022. Depois disso, os houthis intensificaram ataques contra navios e o território saudita. O avanço em direção a Bab el-Mandeb elevou a pressão sobre as exportações de petróleo do Golfo. O tráfego pelo Canal de Suez, que caiu em 2024 após ataques contra navios associados a Israel, representou pouco mais da metade do nível pré-crise entre janeiro e agosto de 2026.







