Manaus, Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Viajar com informação
Mundo

Houthis ampliam influência militar e controle sobre áreas do Iêmen

Ligado ao Irã, o grupo zaidita controla regiões populosas do Iêmen e atua no mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb.

Houthis ampliam influência militar e controle sobre áreas do Iêmen

Os houthis, também chamados de Ansar Allah, são um movimento político e militar zaidita que consolidou influência no Iêmen e passou a afetar rotas comerciais no mar Vermelho. Ligado ao Irã, o grupo controla áreas onde vive a maior parte da população iemenita e dispõe de dezenas de milhares de combatentes treinados, acostumados ao terreno montanhoso do país.

Os zaiditas formam uma vertente xiita minoritária em um país de maioria sunita. O movimento surgiu nos anos 1990, no norte pobre do Iêmen, como reação ao que seus integrantes descreviam como discriminação sectária. O nome Ansar Allah foi associado ao líder espiritual Badredin al-Huti e a seu filho Hussein, morto pelas forças iemenitas em 2004. Depois da morte dele, o irmão Abdulmalik assumiu o comando e ampliou a atuação da facção, que passou a ter alcance político e militar nacional.

Entre 2004 e 2010, os houthis travaram seis guerras contra o governo iemenita. Em 2009, enfrentaram a Arábia Saudita após cruzarem a fronteira. O grupo participou das manifestações que levaram à queda do ex-governante Ali Abdullah Saleh em 2012, durante a Primavera Árabe, e ganhou força ao tomar Sanaa em 2014. A ação provocou a intervenção saudita em março de 2015. A guerra civil deixou centenas de milhares de mortos e gerou uma crise humanitária de grandes proporções.

Em 2022, os houthis firmaram uma trégua com o governo e mantiveram o controle sobre grande parte do norte. As hostilidades voltaram em julho, após o pouso de um avião iraniano no país, autorizado pelo grupo. O governo respondeu com um ataque ao aeroporto. “A presença iraniana é parte de nossa soberania e não aceitaremos imposições externas”, afirmou um representante houthi em comunicado divulgado na época.

Relação com o Irã e atuação regional

Os houthis integram o chamado Eixo de Resistência, liderado pelo Irã e formado também pelo Hezbollah libanês, pelo Hamas palestino e por grupos armados iraquianos. Arábia Saudita e Estados Unidos acusam o governo iraniano de fornecer armas ao grupo, o que o Irã nega. Apesar da cooperação militar, os houthis não reconhecem o líder supremo iraniano como autoridade máxima e mantêm autonomia política e religiosa.

Em 2024, o grupo começou a atacar embarcações no mar Vermelho que, segundo os próprios houthis, teriam ligação com Israel. A justificativa apresentada foi o apoio aos palestinos durante a guerra em Gaza. Os ataques levaram empresas de navegação a adotar rotas alternativas pelo sul da África, com aumento de custos e atrasos. Em março, os houthis também lançaram drones e mísseis contra Israel, sem causar danos significativos.

Disputa pelo estreito de Bab el-Mandeb

O estreito de Bab el-Mandeb conecta Europa e Ásia pelo canal de Suez e se tornou um ponto de disputa entre os houthis e a Arábia Saudita. Em julho, o grupo declarou um bloqueio marítimo contra os sauditas e passou a atacar embarcações do país na região.

Em 3 de setembro, os houthis lançaram um ataque de grande escala para tomar o estreito. Uma semana depois, controlavam toda a costa iemenita do mar Vermelho e as ilhas estratégicas próximas a Bab el-Mandeb. O controle ampliou a capacidade do grupo de interferir na navegação e atacar navios petroleiros sauditas.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5