A Araxá Engenharia acumula 360 títulos protestados e R$ 47,9 milhões em ações judiciais por débitos relacionados à construção de usinas solares. A empresa, sediada em Florianópolis, atua em projetos de energia renovável e participa de consórcios para implantar usinas de geração distribuída solar.
Os registros do CENPROT mostram que havia 191 títulos protestados em fevereiro. Em agosto, o total chegou a 332, com valor de R$ 39 milhões, conforme planilha anexada a um processo movido por uma fornecedora de painéis solares. Uma consulta feita em 17 de setembro indicou 360 títulos.
Entre os credores estão a fabricante de transformadores Blutrafos Blumenau, com mais de R$ 2,5 milhões em pelo menos quatro protestos, e a Stinorland Brasil, especializada em rastreadores solares, com R$ 1,3 milhão. Os protestos registram como devedora a filial Araxá Energia Solar S/A, enquanto a ação judicial cita a matriz. Essa diferença é usada pela empresa como argumento de defesa.
Processos e execução por dívida
Do total de ações judiciais, R$ 18,1 milhões correspondem a 16 ações cíveis, principalmente cobranças e execuções de fornecedores e locadoras de equipamentos. Outros R$ 4 milhões estão relacionados a 59 reclamações trabalhistas distribuídas entre 2022 e 2026 em tribunais de Santa Catarina, São Paulo, Maranhão e do Distrito Federal.
Uma fornecedora de painéis solares também moveu execução de título extrajudicial no valor de R$ 25,79 milhões. Em fevereiro, o sócio-administrador Rodolfo de Sousa Pinto assinou uma carta reconhecendo débito de R$ 19,7 milhões com a empresa.
Em 26 de agosto, o juiz responsável negou o pedido de suspensão da execução. A decisão considerou robusta a documentação apresentada, que incluía notas fiscais, comprovantes de entrega e instrumentos de protesto. A Araxá apresentou embargos de declaração em 8 de setembro, alegando que cinco dos seis argumentos de defesa não foram analisados. O processo ainda não tinha decisão.
Relação com a AXS Energia
A Araxá Engenharia é controlada pela Roca Participações Ltda., holding comandada por Rodolfo de Sousa Pinto, fundador da AXS Energia. Ele é diretor da Araxá desde a fundação da empresa, em 2011, e também ocupa a presidência da AXS Energia S/A e da AXS Participações S/A.
Paulo Afonso Foes, outro diretor da Araxá, comanda a Brasov Participações Ltda., que integra a estrutura do grupo Roca. Araxá Engenharia e AXS Energia têm o mesmo endereço registrado na Rua Cruz e Souza, 57, no Centro de Florianópolis.
Em material para investidores, a AXS descreve a Roca como controladora que, por meio de subsidiárias, comanda a companhia. A AXS Energia captou cerca de R$ 2,15 bilhões no mercado de capitais. Foram 13 emissões de debêntures, somando R$ 1,3 bilhão, além de um FIP-IE de R$ 850 milhões estruturado em junho de 2025.
A primeira emissão, em 2022, teve remuneração de IPCA + 11% ao ano. A mais recente, em maio de 2026, saiu a IPCA + 13,65%.
A Vórtx, agente fiduciário das dívidas do grupo, enviou ao menos 16 notificações de descumprimento em agosto e identificou mais de 100 avisos contra veículos da AXS desde 2023. A empresa atribuiu as falhas a problemas técnicos no envio de informações da Opea e disse que os documentos pendentes haviam sido enviados por e-mail em 31 de julho.
Em 17 de setembro, a Vórtx enviou ao menos cinco novos avisos contra o CRI AXS 4, de R$ 144 milhões. As notificações apontam falta de comprovação do índice que mede a capacidade de geração de caixa das usinas para cobrir o serviço da dívida, ausência de comprovante de pagamento pelo uso da rede elétrica e não apresentação do contrato de compensação da energia entre os consorciados.
A AXS Energia Unidade 02 também foi notificada em 10 de setembro por não avisar os consorciados sobre a cessão de créditos e por descumprir o fluxo mínimo de recursos exigido para cobrir 150% do serviço somado da dívida de CRI e debêntures. A SPE recebeu ainda uma terceira notificação em uma semana por atraso na entrega de relatórios de obras e de geração de energia.
A Araxá Engenharia confirmou a existência da disputa judicial, mas afirmou que não comentaria o mérito enquanto o caso estivesse em análise pelo Poder Judiciário. A empresa disse que os números não correspondem à realidade e declarou manter as operações em funcionamento e cumprir os compromissos sob sua responsabilidade.
A companhia também afirmou ser uma pessoa jurídica distinta da AXS Energia, com operação, estrutura e responsabilidades próprias. A Araxá declarou que obrigações financeiras e operações atribuídas à AXS não devem ser confundidas com as relacionadas à construtora.








