O Assaí anunciou a compra de 18 postos de combustíveis por até R$ 80 milhões e poderá assumir a operação a partir de julho de 2027. Para o BTG Pactual, a rede pode chegar a mais de 100 unidades no longo prazo, em um movimento ligado à estratégia de ampliar os serviços oferecidos em suas lojas.
Em relatório enviado a clientes, o banco avaliou que uma rede desse tamanho teria presença semelhante à atual operação do Carrefour Brasil, que conta com mais de 105 postos. O BTG estima vendas mensais de R$ 2 milhões por unidade e margem Ebitda de 4%.
Projeções e ressalvas
Com essas premissas, os postos poderiam gerar cerca de R$ 2,4 bilhões em vendas anuais e R$ 96 milhões em Ebitda. Esse valor equivaleria a 2% do Ebitda consolidado projetado para o Assaí em 2027.
O banco pondera, porém, que o valor líquido tende a ser menor porque a companhia deixaria de receber a receita de aluguel obtida atualmente com a cessão dos espaços a operadores terceirizados. Para o BTG, a entrada em postos está alinhada a outras iniciativas da gestão, como farmácias, serviços financeiros, marketplaces e recarga de veículos elétricos.
No segmento de farmácias, o Assaí já anunciou planos de levar o modelo a cerca de 250 unidades. A estratégia busca ampliar o uso da base de lojas como espaço para diferentes serviços, em um momento de desaceleração na abertura de novas unidades e de foco da gestão na desalavancagem.
O BTG afirma que essas novas frentes ainda terão contribuição limitada para os resultados e não devem ser o principal fator de aceleração dessas prioridades no curto prazo. “Uma recuperação mais significativa da tese de investimento segue dependendo do negócio principal do varejo alimentar”, concluíram os analistas.
Indicadores financeiros
No segundo trimestre de 2026, o Assaí registrou alavancagem de 2,37 vezes, uma redução de 0,80 vez em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido cresceu 103,4%, para R$ 537 milhões, enquanto a receita líquida avançou 0,9%, para R$ 19,1 bilhões.
O Ebitda ajustado recuou 0,7%, para R$ 1,07 bilhão. Por volta das 10h20, as ações caíam 0,49%, cotadas a R$ 10,21, com valor de mercado de R$ 13,5 bilhões. No acumulado de 2026, os papéis ainda acumulavam alta de mais de 40%.








