O Itaú BBA substituiu três ações de sua carteira recomendada para setembro, reduzindo a exposição ao crédito para pessoas físicas e a empresas mais dependentes da economia brasileira. Nubank, Sabesp e Bradesco saíram da seleção; BTG Pactual, Eneva e Suzano foram incluídos.
A reformulação busca proteger o portfólio diante de um cenário considerado mais adverso para a Bolsa brasileira. A instituição passou a priorizar companhias com receitas contratadas, negócios dolarizados ou menor correlação com a atividade doméstica.
As mudanças na carteira
O BTG Pactual entrou no lugar do Nubank em meio às preocupações com o endividamento das famílias, os juros elevados e a possibilidade de aumento da inadimplência no crédito ao consumidor. A instituição financeira mantém exposição ao setor, mas tem receitas distribuídas entre banco de investimento, crédito corporativo, negociação de ativos, gestão de recursos e gestão de patrimônio.
Para o Itaú BBA, o BTG combina crescimento dos lucros e rentabilidade elevada, além de apresentar revisões positivas de resultados mesmo em um ambiente mais difícil para os bancos de varejo.
A Eneva substituiu a Sabesp. A avaliação é que a empresa de energia oferece maior previsibilidade de resultados com o aumento das receitas contratadas. Entre os fatores que podem influenciar o desempenho estão o acionamento de usinas termelétricas, a comercialização de gás e energia, novos projetos no leilão de reserva de capacidade e a flexibilização operacional de ativos.
A Suzano ocupou o espaço do Bradesco, reduzindo a exposição da carteira ao crédito brasileiro. Como suas vendas estão concentradas no exterior e suas receitas são em dólar, a produtora de celulose tem menor correlação com a atividade econômica doméstica. O Itaú BBA também avalia que a empresa negocia a múltiplos descontados e mantém geração de caixa atrativa, apesar da pressão sobre os preços da celulose.
Motivos para a postura defensiva
A mudança ocorreu após a saída de aproximadamente R$ 18,5 bilhões de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira em agosto. O Ibovespa encerrou o mês com queda de 0,3%, depois de acumular perda de 6,5% até o dia 18.
O Itaú BBA citou as tensões no Oriente Médio, os preços elevados do petróleo e a alta dos juros dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos, associada às dúvidas sobre a trajetória da dívida pública norte-americana. A inteligência artificial também direcionou parte dos recursos para Taiwan e Coreia do Sul, que concentram fabricantes de chips e memória.
No Brasil, a eleição e as incertezas fiscais reduziram o interesse estrangeiro. Cerca de 85% dos balanços do segundo trimestre ficaram em linha ou acima das projeções do banco, mas 52% das ações caíram no pregão seguinte à divulgação. “Em agosto, a dinâmica dos fluxos globais e as condições macroeconômicas se sobrepuseram aos fundamentos apresentados isoladamente pelas empresas”, afirmou o Itaú BBA.
O corte da Selic para 14% ao ano e a desaceleração da inflação trouxeram alívio. O cenário-base da instituição prevê outra redução de 0,25 ponto percentual em setembro, mas o fluxo estrangeiro, a disputa eleitoral e os juros internacionais devem continuar no centro das decisões dos investidores.
Em agosto, a carteira Top 5 caiu 0,7%, resultado 0,4 ponto percentual abaixo do Ibovespa. No acumulado de 2026, a seleção avançou 1,9%, ante alta de 10,1% do índice. Desde janeiro de 2016, a carteira acumula valorização de 1.197%, contra 342% do Ibovespa.







