A estreia dos leilões de armazenamento de energia em baterias será um dos principais movimentos do mercado de infraestrutura em dezembro. As disputas estão previstas para os dias 2 e 4 e podem mobilizar aproximadamente R$ 20 bilhões em investimentos.
A agenda do mês inclui ao menos oito leilões de rodovias, ferrovias e aeroportos. Somados, os projetos podem superar R$ 47 bilhões. A estimativa considera R$ 24,8 bilhões em capex de três concessões rodoviárias, cerca de R$ 2,2 bilhões para projetos aeroportuários e terminais ferroviários e os recursos previstos para as baterias. O Corredor Minas-Rio ficou fora da conta porque seu investimento ainda não foi definido.
Entre as empresas que acompanham os certames de baterias estão Axia, ISA Energia, Auren, Eneva, WEG, Newave Energia, Petrobras, Matrix, Taesa e Delta Energia, além de Tesla e BYD. Jairo Terra, head de Regulação e Litígio da PSR, espera a participação de empresas de geração renovável interessadas em conectar baterias a parques existentes.
Rodovias e ferrovia
As concessões rodoviárias concentram a maior parcela dos investimentos já definidos. A Rota do Pequi, na BR-060/153/DF/GO, será leiloada em 11 de dezembro. A Rota Agro Central, na BR-070/174/364/MT/RO, está prevista para 17 de dezembro, e a Rota 2 de Julho, na BR-116/324/BA, para 18 de dezembro. Antes disso, em 12 de novembro, haverá a disputa pelo Arco Norte.
A Nova Infra Invest, braço de infraestrutura da Novonor, avalia entrar em consórcio na Rota 2 de Julho. A empresa atua com a Mota-Engil e a Galapagos Capital no grupo que venceu, em maio, a Rota dos Sertões, entre Bahia e Pernambuco.
O Corredor Minas-Rio é estudado por cerca de quatro empresas, entre elas CSN e MRS. O trecho conecta a unidade de cimento da CSN em Arcos à Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda. A companhia informou que avalia todas as alternativas, mas ainda não tomou uma decisão. Em 3 de dezembro, também está prevista a concessão de cinco terminais ligados à Ferrovia Norte-Sul: quatro em Porto Nacional e um em Palmeirante, no Tocantins.
Aeroportos e financiamento
A repactuação do Aeroporto Internacional de Brasília está marcada para 17 de dezembro. O projeto prevê cerca de R$ 1,2 bilhão em investimentos no terminal e inclui outros dez aeroportos regionais, com aportes inicialmente estimados em cerca de R$ 858 milhões.
A Corporación América Airports, controladora da Inframerica, informou que pretendia participar da repactuação. Se não houver propostas, a concessão modificada será automaticamente concedida à Inframerica. Aena, Zurich Airport e Grupo Aeroportuario del Sureste também acompanham oportunidades no setor, sem confirmar participação na disputa.
George Santoro, ministro dos Transportes, afirmou que a concentração de leilões não deve reduzir o interesse das empresas. Para ele, a participação dependerá da análise econômica de cada ativo. Samy Podlubny, do UBS BB, disse que há recursos para bons projetos, mas o custo do capital influencia o valor que os investidores aceitam pagar. Rogério Yamashita, do Itaú BBA, acrescentou que o prazo e o perfil da dívida são tão importantes quanto a taxa de financiamento.








