NOVA YORK — Escolas da cidade funcionam normalmente em 11 de setembro, data que não é feriado nacional nem estadual. O ensino sobre os atentados às Torres Gêmeas não é obrigatório, mas o Departamento de Educação de Nova York reúne livros, links e orientações para professores que desejam abordar o tema em Estudos Sociais.
Um dos materiais, elaborado pela NaliniKIDS com a Fundação Nacional dos Bombeiros Falecidos, orienta docentes de crianças de 4 a 8 anos a apresentar o episódio como uma grande emergência. O guia recomenda palavras como aniversário, emergência, herói, memória e serviço, e desaconselha termos como ataque, terror, batida, colapso e fogo.
Os atentados de 11 de setembro de 2001 deixaram quase 3 mil mortos. Entre as vítimas estavam 343 bombeiros e 372 estrangeiros de cerca de 90 nacionalidades, incluindo os brasileiros Ivan Kyrillos, Anne Marie Ferreira e Sandra Fajardo Smith.
O conjunto de recursos educacionais inclui 16 livros e cerca de 20 links para museus, atividades, documentários e textos sobre como lidar com crianças vítimas de traumas. A orientação também alerta que relembrar o episódio pode despertar luto e dor em quem viveu aquele dia e dificultar a compreensão de seu impacto entre os mais jovens.
Museu reúne objetos e oferece visitas
O 9/11 Memorial & Museum foi inaugurado em 2014 no local onde ficavam as torres. O espaço oferece tours gratuitos para estudantes entre a 3ª e a 12ª séries de escolas de Nova York, Nova Jersey e Connecticut. Seu acervo tem 83 mil artefatos.
Dois espelhos d’água ocupam as áreas das torres, com os nomes das vítimas gravados em mármore. Uma árvore foi plantada para cada morto. O novo World Trade Center, chamado de Freedom Tower, fica a poucas quadras do local original.
Jennifer Lagasse, diretora de educação do museu, afirma que as visitas abordam tanto o 11 quanto o 12 de setembro, como símbolos de uma realidade transformada. Para ela, a geração atual herdou esse novo cenário.
Distância entre os estudantes
Seis alunos do Brooklyn, todos com 16 anos e matriculados na 11ª série, relataram experiências diferentes sobre o tema. Alguns estudaram o assunto de forma superficial na 8ª série; outros receberam material mais detalhado; um grupo aprendeu principalmente com os pais. Nenhum visitou o memorial com a escola.
Gabriela Chiavenato, de 25 anos, nasceu e cresceu em Nova York e teve contato com o assunto durante a adolescência. Ela fez pesquisas, apresentações e visitou o museu com a escola. Gabriela disse que sua relação inicial com o episódio foi mais factual do que emocional e que só mais tarde conseguiu se aproximar dos relatos de quem viveu aquele dia.
Após o colapso das torres, o fogo continuou por 99 dias, enquanto a busca por corpos durou quase um ano. Trabalhadores envolvidos na limpeza dos escombros passaram a apresentar problemas respiratórios, câncer e outras doenças associados à falta de qualidade do ar. O prefeito Zohan Mamdani levantou o assunto ao divulgar documentos que, segundo o texto, haviam sido ocultados por governos anteriores.
No Brooklyn, o Squad 1 mantém na fachada os nomes e as fotos dos 12 bombeiros mortos da unidade. Os profissionais recebem crianças de jardim de infância das escolas públicas do bairro Park Slope para falar sobre segurança contra incêndios e mostrar os equipamentos usados em resgates. O 11 de setembro, porém, não faz parte dessas explicações.








