O presidente do conselho da Petz Cobasi, Sérgio Zimerman, criticou o fim da cobrança de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, a proposta de acabar com a escala 6x1 e a condução da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes enquanto houver apuração sobre as conversas mantidas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Zimerman afirmou que Moraes deve se afastar ou ser afastado para preservar a credibilidade do STF e responder às suspeitas com direito à defesa. O banqueiro Vorcaro pagou R$ 130 milhões para contratar o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. As mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes tratavam dos rumos da investigação sobre o escândalo financeiro.
Para o empresário, a situação exige coerência da Corte. Ele disse que um ministro do STF não pode atuar como assessor pessoal ou advogado de um banqueiro e afirmou que o presidente do tribunal, Edson Fachin, deveria tomar medidas para recuperar a confiança na instituição.
Críticas à taxa de importação
Zimerman classificou o fim da cobrança de 20% de imposto federal de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 como uma medida de interesse eleitoral. A mudança foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira, 10 de setembro.
Na avaliação do empresário, a regra cria uma diferença entre produtos fabricados no Brasil e mercadorias produzidas no exterior e vendidas ao consumidor brasileiro. Ele afirmou que empresas nacionais enfrentam uma carga tributária maior enquanto compras internacionais passam a ter imposto federal zero, com incidência apenas do ICMS.
O Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), do qual a Petz Cobasi faz parte, avalia recorrer à Justiça para questionar a constitucionalidade da medida. O argumento seria a possível violação da isonomia tributária.
No setor pet, Zimerman estima impacto direto sobre cerca de 20% do negócio, especialmente nas vendas de acessórios, brinquedos e roupinhas. Segundo ele, produtos importados que entram no país sem imposto competem com mercadorias vendidas por lojas brasileiras, que têm maior carga tributária.
O empresário também afirmou que a mudança pode reduzir a arrecadação e pressionar empresas do varejo. Ele relacionou o cenário aos juros elevados e ao desequilíbrio entre as despesas e as receitas do governo. O Grupo Petz Cobasi tem valor de mercado de R$ 3,3 bilhões, e as ações AUAU3 na B3 valorizaram 4,13% em 2026.
Escala 6x1 e custos do trabalho
Zimerman criticou a pressa para aprovar o fim da escala 6x1 durante o período eleitoral. Para ele, a redução da jornada sem diminuição proporcional dos salários aumentaria o custo da mão de obra, reduziria o poder de consumo e poderia gerar inflação.
O Grupo Petz Cobasi tem 15,8 mil colaboradores. O empresário defendeu maior flexibilidade para organizar os horários e afirmou que o pagamento por hora, com os direitos trabalhistas mantidos, seria uma alternativa para adaptar a jornada às necessidades de trabalhadores e empresas.
Na avaliação de Zimerman, custos maiores seriam repassados aos preços. Ele também disse que a medida pode estimular a informalidade e reduzir as possibilidades de emprego. Sobre o setor pet, afirmou que demissões podem ocorrer se a economia continuar retraída, embora não espere esse efeito no curto prazo.
Avaliação sobre a eleição e a economia
O empresário atribuiu parte da polarização brasileira à transformação de temas econômicos em disputas políticas. Ele criticou tanto o governo quanto a oposição e disse que a discussão sobre a taxa de importação e a escala 6x1 envolve uma disputa de narrativas.
Zimerman afirmou que o governo deveria gastar menos do que arrecada para reduzir a desconfiança dos agentes econômicos. Também avaliou que os juros têm funcionado mais como obstáculo do que como solução para a inflação e disse que poderiam cair rapidamente se o próximo governo fizer esse ajuste.
Ao comentar a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, o empresário afirmou que um dos dois será eleito e que a escolha dependerá da avaliação individual de cada eleitor. Para ele, a pior opção seria não escolher.








