A sanção que encerra a cobrança extra de 20% sobre produtos importados de até US$ 50 pode acelerar a transferência de empresas têxteis brasileiras para o Paraguai. A medida foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira, 10 de setembro. Nos últimos anos, 200 empresas abriram unidades no país vizinho.
A avaliação é de Edmundo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), entidade que representa empresas como Renner, Riachuelo e C&A. Segundo ele, os custos no Paraguai podem cair perto de 30%, em razão principalmente da carga tributária e das despesas com mão de obra.
Entre as empresas que já avançaram com a mudança está a Lupo, de Araraquara, que instalou um parque fabril em Ciudad del Este, em junho do ano passado, com investimentos de R$ 30 milhões. A Karsten inaugurou, em março deste ano, uma unidade em Guazú.
Para Lima, o fim da cobrança federal sobre produtos importados, sobretudo os vendidos por varejistas asiáticos, aumenta a pressão sobre companhias brasileiras que já avaliavam transferir fábricas. “A gente está exportando emprego, enquanto deveríamos gerar no Brasil”, afirmou.
O executivo também relaciona a medida à paralisação de investimentos no varejo físico. No começo do ano, havia expectativa de aporte de R$ 100 bilhões e criação de empregos, mas empresas passaram a aguardar uma avaliação mais clara dos efeitos da mudança.
A arrecadação federal também pode ser afetada. No ano passado, o imposto de importação rendeu cerca de R$ 5 bilhões aos cofres da União. Para 2026, a previsão era de R$ 7 bilhões. Na avaliação da Abvtex, a redução das compras em lojas brasileiras também diminui o recolhimento de tributos pelas varejistas nacionais.
Dados da Confederação Nacional da Indústria indicam que o setor de vestuário teve queda de 8,2% na atividade econômica em julho, na comparação com o mesmo período do ano passado. Lima afirma que o resultado coloca em risco mais de 800 mil empregos diretos. O setor de moda e confecção emprega 2,3 milhões de trabalhadores, considerando indústria e varejo.
A associação prevê redução nas vendas em períodos como Black Friday, Dia das Crianças e Natal. Mais de 90% das vendas do setor de moda ficam abaixo de R$ 250. Até a primeira revisão da medida, programada para daqui a três meses, a entidade pretende pressionar o Planalto e o Legislativo e cobrar fiscalização mais rigorosa sobre a qualidade dos produtos estrangeiros. Depois dessa análise, o governo deverá avaliar os impactos econômicos a cada seis meses.








