A Small Batches reorganizou suas operações depois que Luiz Paulo Foggetti deixou a gestão, no fim de 2025, e saiu do quadro de sócios no início deste ano. A mudança ocorreu após uma ação judicial movida por 41 investidores, que passaram a controlar a holding, dona da APTK Spirits e da Ice4Pros.
Rodrigo Carvalho assumiu a condução da empresa em março deste ano. O novo CEO tem 35 anos e reúne experiências na Ambev e na Heineken, além de ter criado a 7mares Branding e a Barin, startup de drinks artesanais em lata e, posteriormente, engarrafados.
A Barin foi incorporada ao portfólio da Small Batches. O bartender Alê D’Agostino, um dos fundadores do grupo, também voltou à direção criativa, depois de ter se afastado durante a escalada dos problemas da gestão anterior.
Aporte e reorganização financeira
Os 41 investidores fizeram um aporte de R$ 4 milhões, dividido em duas tranches. Parte dos recursos será usada para equacionar dívidas, muitas delas tributárias, deixadas pela antiga gestão. O passivo era um dos principais pontos de conflito entre os sócios.
A Infinity, nomeada administradora judicial durante a disputa, continua responsável pelas demandas financeiras e, a princípio, permanecerá como consultora do grupo até o fim do ano. Metade do aporte foi destinada a possíveis problemas de caixa; a outra parcela será aplicada na expansão da operação.
“Todos na empresa ficaram bastante machucados e ainda temos um passivo grande para lidar”, afirmou Carvalho. Ele disse que pretende concentrar a gestão nas próximas etapas do negócio, sem se voltar ao período anterior.
Antes de chegar à Small Batches, Carvalho comandava a Barin. A startup começou a ganhar tração depois de captar R$ 1,5 milhão, mas um incêndio na fábrica terceirizada interrompeu a expansão. O empreendedor manteve o negócio ativo por quatro anos e depois decidiu congelar o projeto.
A aproximação com a Small Batches ocorreu porque Carvalho já tinha contato com a holding por meio de um investidor em comum. Após o conflito entre os sócios, os investidores o convidaram para assumir a condução da empresa.
Menos produtos e novas marcas
Uma das primeiras medidas foi reduzir a equipe de cerca de 90 profissionais para aproximadamente 50. O plano é chegar a, no máximo, 30 pessoas, principalmente no C-Level.
A APTK também reduziu seu portfólio de 240 para cerca de 15 SKUs. A empresa pretende manter esse volume e fazer lançamentos sazonais, incluindo produtos sem álcool e funcionais, previstos para 2026.
A divisão entre as marcas foi redefinida. A Barin será posicionada como a marca premium do grupo no mainstream, com vendas por distribuidores, no off trade e em marketplaces. A marca já estreou na Amazon e na Shopper. A APTK ficará no segmento ultra premium, com comercialização em lojas e no site próprio.
A Small Batches também negocia as primeiras exportações da APTK. A Itália é o destino mais provável, e a Espanha pode ser incluída na operação.
Ice4Pros ganha prioridade
A Ice4Pros concentrou sua produção, antes distribuída entre São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia, na capital paulista. A mudança reduziu o tempo de produção de cinco para dois dias e também diminuiu custos.
A empresa passou a ser tratada como prioridade dentro da holding. A equipe comercial do grupo começou a prospectar clientes para a Ice4Pros, que acumulou uma base de 3 mil compradores em seis meses. A companhia também conversa com grandes marcas e distribuidores de bebidas para ampliar as vendas.
“Isso é algo que estamos mudando. A Ice4Pros tem que ser a nossa principal empresa”, disse Carvalho. Segundo ele, a marca crescia de forma orgânica mesmo sem uma equipe comercial dedicada.
Retomada das lojas
A APTK tinha 20 lojas no auge, entre unidades próprias e franquias, mas hoje conta com cinco pontos de venda. A nova meta é voltar ao patamar de duas dezenas em um ano.
O modelo de expansão passou a priorizar quiosques e projetos com investimento inicial entre R$ 50 mil e R$ 150 mil. Até o fim do ano, a rede deve ganhar duas unidades na região Sul.
A holding também criou comitês com reuniões periódicas e participação dos investidores em áreas como financeiro, marketing e operações industriais. A formalização de um conselho de administração está em andamento.








