A Terça da Serra planeja ampliar sua presença no mercado brasileiro de moradias para idosos com um modelo de conversão de casas de repouso já em funcionamento. A estratégia será conduzida por Rodrigo Albuquerque, fundador e CEO da Petland Brasil, que assumirá o cargo de COO da rede em 1º de outubro.
Albuquerque também terá a opção de adquirir uma participação acionária na empresa em até 12 meses. O percentual previsto na negociação não foi informado. A Terça da Serra tem como sócio, desde 2021, o grupo SMTZO, de José Carlos Semenzato.
Expansão por franquias
A Terça da Serra opera por meio de franquias e tem os royalties pagos pelos franqueados como principal fonte de receita da franqueadora. A rede conta atualmente com 124 unidades em 25 estados e 70 municípios, além de 40 casas em implementação até 2027.
A projeção é alcançar receita de R$ 300 milhões em 2026 e chegar a 300 casas, com faturamento de R$ 1 bilhão, em 2030. A empresa também pretende ampliar a presença na região Sul e em cidades do interior do Nordeste.
O plano de conversão prevê a compra de uma moradia para idosos ou de uma pequena rede já existente, seguida da transformação das unidades em operações da Terça da Serra. Para atrair proprietários e novos franqueados, a empresa prepara o Terça da Serra Day, previsto para dezembro, em São Paulo.
“Está começando a ter bastante demanda de casas que querem fazer a conversão”, afirmou Albuquerque. Segundo ele, a experiência adquirida na Petland será usada na implantação desse modelo.
Operação e estrutura
A missão inicial do novo COO será organizar fornecedores, gerar valor para os franqueados e ampliar as receitas da franqueadora. Um dos exemplos citados por Albuquerque é a compra de fraldas: as unidades utilizam 18 mil por dia, mas cada franqueado atualmente compra de um fornecedor diferente.
A rede começou em 2014, depois que Joyce Duarte Caseiro buscou uma residência adequada para seu avô, que tinha 88 anos e sofria de Mal de Alzheimer. Sem encontrar uma opção considerada adequada na região de Campinas ou em São Paulo, ela criou o próprio negócio com o economista Pedro Moraes. Joyce é a CEO, e Moraes ocupa o cargo de CFO. O casal também é dono de três unidades.
Para Joyce, a chegada de Albuquerque permitirá mais dedicação às certificações, à qualidade e à melhoria dos processos de saúde. Moraes afirmou que o executivo ajudará os fundadores a concentrar esforços na gestão e na operação das casas.
Cada unidade implementada exige cerca de R$ 1 milhão. As casas da rede atendem aproximadamente três mil idosos e têm fila de espera. O tíquete médio é de R$ 7 mil, com valores que podem chegar a R$ 20 mil.
Demanda e obstáculos
O Brasil tem mais de 32 milhões de idosos. Pessoas com mais de 60 anos representam 15,6% da população, enquanto a faixa de 15 a 24 anos corresponde a 14,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A economia prateada movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano, e o público idoso responde por 39% do Produto Interno Bruto (PIB). Para Albuquerque, o negócio alcança o breakeven em cinco ou seis meses e está inserido em um mercado ainda em formação no país.
A instalação de novas casas enfrenta, porém, a dificuldade de encontrar imóveis adequados. Cada unidade precisa de uma área de pelo menos 600 metros quadrados (m²) e 12 suítes. A Terça da Serra mantém uma equipe dedicada à busca de pontos antes mesmo da chegada dos franqueados.
Albuquerque continuará atuando na Petland, que tem a família Jereissati como sócia, com 28% de participação. Ele afirmou que a operação da rede de pet shops está estabilizada e que sua atuação direta na empresa será mantida.








