A XP iniciou uma expansão regional de sua unidade de private banking para aumentar a participação na disputa por grandes fortunas no Brasil. O primeiro escritório foi inaugurado em Curitiba há um mês, com foco no atendimento à região Sul. Até o fim de 2027, a empresa planeja abrir representações no Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
A movimentação ocorre após dois anos e meio de reestruturação do XP Private Bank. A área ampliou a oferta de produtos e serviços e agora busca conquistar novos clientes, aumentar a participação nas carteiras de investidores que já estão na instituição e se aproximar de famílias em diferentes regiões do país.
“Hoje, conseguimos ser extremamente competitivos e ganhar market share”, afirma Cesar Chicayban, CEO do XP Private Bank. Segundo ele, a meta é fazer da instituição uma referência para as principais famílias brasileiras ao longo de sua jornada financeira.
Reestruturação do private banking
Chicayban liderou a reformulação depois de trabalhar por 20 anos no Citi, onde ocupou os cargos de head do private bank no Brasil e global market manager do Citi Wealth Management, em Nova York. Criado em 2016 para atender clientes com tíquetes a partir de R$ 10 milhões, o XP Private Bank concentrava sua atuação nos investimentos.
A mudança organizou a operação em cinco frentes: crédito e soluções de capital; derivativos para monetização de posições acionárias; multifamily office; planejamento patrimonial; e plataforma internacional. A proposta é coordenar especialistas de diferentes áreas conforme as necessidades de cada família, em vez de limitar o relacionamento à gestão da carteira.
A XP não divulga dados específicos do private banking. Os ativos sob gestão, porém, chegaram recentemente a cerca de R$ 360 bilhões, alta de 44% ante os R$ 250 bilhões registrados pela área dois anos antes. No mesmo intervalo, o mercado cresceu 33,3%, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
A carteira de crédito passou de R$ 2 bilhões para quase R$ 9 bilhões. Já o multifamily office, voltado a famílias com patrimônio financeiro superior a R$ 100 milhões, cresceu de R$ 3 bilhões para quase R$ 30 bilhões em ativos.
Disputa por participação nas carteiras
O segmento private somava R$ 2,8 trilhões em investimentos ao fim do primeiro semestre de 2026, com crescimento de 5,2% em seis meses, segundo a Anbima. O Itaú Private Bank informa deter 31% do mercado e administrar R$ 1,1 trilhão.
No BTG Pactual, o wealth management reunia R$ 1,3 trilhão em ativos sob gestão. Santander, Safra e Bradesco também disputam esse público, ao lado de multifamily offices e gestoras independentes. O Santander lançou a Beyond Wealth para atender famílias com ativos a partir de R$ 10 milhões no Brasil.
A XP pretende usar a expansão física para complementar o trabalho de suas assessorias de investimentos. A companhia tem 18 mil assessores, dos quais cerca de 3,4 mil já atendem clientes private em suas carteiras.
Embora o Sudeste concentre 66,3% dos investimentos das pessoas físicas no país, a região cresceu 5,6% no primeiro semestre de 2026. No mesmo período, os investimentos avançaram 10,2% no Norte, 9,5% no Centro-Oeste, 8,9% no Nordeste e 6,9% no Sul.
Os dados da Anbima abrangem todos os investimentos das pessoas físicas, não apenas o segmento private. Para Chicayban, a presença local ajuda a identificar empresários, compreender a formação de riqueza e apresentar soluções adequadas às famílias. “Estar presente fisicamente nos dá uma capacidade muito maior de entender quem são os empresários”, diz.








