A Erco Energia vai concentrar parte de sua expansão no Brasil em sistemas de armazenamento de energia em baterias, diante da redução de oportunidades para novos projetos solares e eólicos de grande porte. A empresa prevê instalar 20 megawatts-hora (MWh) ao longo do próximo ano, com investimentos estimados em cerca de R$ 40 milhões.
A estratégia será apoiada pela rodada Série C concluída em agosto deste ano. A companhia captou US$ 129 milhões, pouco mais de R$ 650 milhões, em equity com Next Utility Ventures, Augment Infrastructure, Norfund e Endeavor Catalyst. Não foi definida uma parcela específica para o Brasil; os recursos serão direcionados conforme o retorno esperado de cada projeto.
Fundada em 2012, a Erco começou com sistemas solares em telhados e depois passou a atuar em empreendimentos maiores, comercialização e outras soluções de energia. A empresa chegou ao Brasil em 2022, onde iniciou a comercialização de energia e mantém cerca de R$ 50 milhões em contratos.
O movimento ocorre em um cenário de sobreoferta de energia, oscilação de preços, limitações na transmissão e curtailment, que são cortes obrigatórios na geração por restrições do sistema elétrico. Para Vitor Piva, country manager da Erco no Brasil, a companhia precisa ser mais seletiva nos projetos. Ele afirma que devem surgir poucos empreendimentos solares novos nos próximos dois ou três anos, enquanto o movimento no setor eólico pode ser um pouco maior.
A empresa pretende atender inicialmente consumidores industriais de médio porte, sem priorizar os leilões de armazenamento. Os equipamentos seriam carregados nos períodos de menor custo e usados no horário de ponta. Na Bahia, segundo Piva, o uso da rede entre 18h e 21h pode custar até 20 vezes mais do que durante a madrugada.
Em algumas regiões, a diferença de preços já permite um payback de três a quatro anos, conforme a companhia. A Erco poderá vender os equipamentos diretamente ou oferecê-los em um modelo semelhante ao leasing, com os pagamentos custeados pela economia gerada.
Mais de 95% da receita ainda vem da Colômbia, onde a empresa mantém o foco na expansão solar e já combina projetos de geração com baterias. Até 2030, a meta da Erco é superar 1,3 gigawatt (GW) de potência solar e 500 megawatts-hora (MWh) de baterias no País.








