O anjo-do-mar é um gastrópode marinho que vive sem concha na fase adulta. Transparente e pequeno, ele nada usando parapódios, expansões musculares que se movimentam de forma ritmada e criam a impressão de voo dentro da água.
Espécies do gênero Clione, como Clione limacina, fazem parte do grupo conhecido popularmente como anjos-do-mar. O corpo translúcido permite observar partes dos órgãos internos, e algumas populações alcançam poucos centímetros. Em vez de viver sobre o fundo, o animal permanece na coluna d’água, integra o plâncton e pode ser encontrado em mares frios, incluindo áreas do Ártico e do Atlântico Norte.
A aparência delicada muda durante a alimentação. Ao encontrar um caracol, o anjo-do-mar abre a região bucal e projeta cones semelhantes a tentáculos. Essas estruturas seguram a presa e ajudam a posicionar a concha. Depois, ganchos alcançam a abertura, enquanto a rádula — uma faixa raspadora com pequenos dentes — raspa e puxa as partes moles.
Os anjos-do-mar são predadores especializados de borboletas-do-mar, pequenos caracóis planctônicos que mantêm a concha. Algumas espécies demonstram preferência por presas do gênero Limacina. O predador pode perseguir o caracol, capturá-lo e girar a concha até encontrar uma posição que permita alcançar o corpo protegido.
A captura pode exigir tentativas repetidas, especialmente quando há diferença de tamanho entre os animais. Correntes, movimentos defensivos e o encaixe da presa também podem interromper o ataque. Quando consegue se alimentar, o anjo-do-mar ingere as partes moles e abandona a concha.
Os parapódios mantêm o animal em movimento e ajudam nas mudanças de direção durante a aproximação. Contrações alternadas dessas estruturas geram impulso, substituindo o uso de nadadeiras e cauda. O nado resulta de uma modificação do pé característico dos moluscos.
A ausência de concha favorece a mobilidade, mas deixa o corpo exposto. Transparência, tamanho reduzido e compostos químicos podem oferecer alguma proteção. O corpo translúcido também permite estudar músculos e órgãos em funcionamento, além de aspectos da locomoção, das redes nervosas e das relações ecológicas no plâncton.
A dependência de caracóis com concha torna o anjo-do-mar relevante para acompanhar mudanças que afetam as cadeias alimentares dos mares frios. Sua anatomia combina natação e captura de uma presa específica no mesmo ambiente.







